Na quinta semana de governo, Bolsonaro finalmente perdeu a sua bolsa de cocô e poderá utilizar algo além da própria boca para soltar merda pelo mundo. Falta alguém perguntar para o saco de colostomia como é ficar preso a uma bosta por tanto tempo.


Newsflash: o capitalismo ainda é malvado 

As pessoas precisam aceitar que as empresas no mundo capitalista só querem lucrar. Essa coisa de sucos legais e marcas que se unem a grandes lutas sociais tem um nome: segmentação de mercado. 

Dito isso, quem considerou que a queda das ações da Vale após o desastre de Brumadinho deveria lembrar o que ocorreu com os papéis da mesma empresa após o desastre de Mariana, se enganou. A generosa valorização no mesmo período só serve para lembrar que, assim como ocorre com o Facebook, o único interesse do investidor é fazer dinheiro, e não pressionar governos por uma regulamentação mais forte. 

Máscara opaca 

Se as pessoas que agora são responsáveis pela operação Lava Jato (e os seus desdobramentos), querem ao menos fingir imparcialidade, uma boa alternativa é começar, de fato, a ser imparcial. Negar os pedidos de Lula para comparecer ao velório do próprio irmão não é só desumano, mas também é contra a lei. A lei não é mais para todos? 

Tudo bem que, nesse caso, ao dar o mesmo tratamento que é legado à grande maioria dos presos brasileiros, os juízes foram até meio imparciais. Por outro lado, se a Polícia Federal não consegue garantir a segurança e o transporte de um detento, é melhor que ele não seja preso. Não é como se os presídios brasileiros já não estivem superlotados. 

Pororoca de chorume 

Para quem sempre se perguntou como era a política no governo Sarney, Bolsonaro está mostrando, com um alto nível de precisão, o que ocorre quando o centrão chega ao poder. O ministro da Educação saiu por aí dizendo que universidade não deve ser acessível para todos. O que não seria um problema se o acesso ao ensino superior fosse alto e o governo estivesse procurando incentivar o ensino técnico. 

O mesmo MEC (Ministério da Educação e Conspirações), aliás, publicou uma nota afirmando que não censurou a publicação de vídeos sobre Marx do site do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines). Segundo o ministério, a culpa seria do governo anterior. Além de ser uma mentira, o ministério deveria ter explicado por qual motivo não restaurou os vídeos prontamente após a publicação da primeira notícia sobre o tema. Ser marxista em pleno século XXI não é ser um perigo para a sociedade, aliás, é só acreditar em umas bobagens. 

Saindo das abas do MEC, a revista Época recontou a história que havia sido pautada anteriormente pela Folha de S. Paulo, onde se afirmava que a ministra Damares Alves sequestrou, há 15 anos, uma criança indígena de uma aldeia no Xingu. Agora, além de criminosos confessos, conspiracionistas e membros do 55chan, também temos uma sequestradora de bebês na alta cúpula do governo. 

Indo além, houve a nomeação de uma secretaria executiva acusada de danos ao erário, uma defensora do ensino domiciliar para a Diretoria de Desenvolvimento Curricular e Formação de Professores Alfabetizadores e um ex-deputado que defende a caça de animais silvestres para comandar o Serviço Florestal Brasileiro. Tudo bem você montar um governo com indicações técnicas, mas pega mal quando a especialidade das suas indicações é realizar falcatrua. 

Arouche Towers projetadas por Niemeyer 

Se algum desavisado se assustou com o baixo nível das eleições para a presidência do Senado na última semana, fica o alerta de que isso não é mais do que o normal. Roubo de pasta, votação com 81 votantes e 82 votos e presidiário auxiliando na fiscalização dos tramites não é nada muito surrealista para o Brasil, portanto, fiquem atentos e evitem passar vergonha

Aliás, o governo Bolsonaro deveria se lembrar que, na última vez que um governante deu tanto poder a um partido e deixou um político velho, com problemas com a justiça e boas relações em Brasília, nós tivemos impeachment (que sempre crime de responsabilidade “é goooolpe”). Não para quem não queria ver a Dilma fora do poder. 

Peça para sair 

O novo chefe de imprensa do governo Zema deveria perceber que ele não é Andrea Neves para ficar intimidando jornalista. Aliás, se o novo governo mineiro optou por realizar apenas indicações técnicas, alguém deveria justificar por qual razão uma pessoa que não gosta de imprensa foi colocada para cuidar do cargo. 

Pescando ilusões 

Alguém deveria perguntar para o governador se valeu realmente a pena ser eleito. O primeiro mês de governo mal acabou e ele já teve que lidar com: a necessidade de encontrar um líder para o governo que agradasse a sua base, as críticas por ter chamado pessoas das administrações tucanas para o seu alto escalão e um desastre natural. 

Deixando de lado os momentos Marcio Lacerda, também é importante lembrar que a situação fiscal de Minas Gerais é uma das piores do país e não será resolvida com um bazar dos quadros que o Pimentel deixou espalhados pela Cidade Administrativa. 

Uma dica para os eleitores do Novo: antes de reclamar que o governador contratou pessoas dos governos tucanos, saiam do ensino médio, entrem para a Escola de Governo e se formem em administração pública. Até lá, a gestão do Estado será feita por quem entende do tema, o que não parece ser o caso de todas as pessoas do partido.

Se você achou que os comentários sobre a vale foram curtos, relaxa, que dia 10 eu mando mais.

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Publicado por guilhermehmds

Guilherme gosta de História, de discutir, de estudar, de Formula 1 e de batata. Guilherme adora uma batata.

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