Na sétima semana de governo Brasileiro, o país esteve nas mãos de um General que não foi eleito para ser presidente e dos filhos de quem até foi eleito para ser presidente, mas que estava com o cu muito protegido para ser colocado na reta. 


Sonhos reduzidos a pó pelo leite em pó 

Os liberais de quermesse que apoiaram o nosso presidente já se arrependeram ou precisarão da manutenção de proteções a outro setor estratégico que de estratégico não tem nada para ver a canoa furada em que eles entraram? Ou vão esperar a ministra da Agricultura defenestrar parte da reforma da Previdência? Se organizar direitinho, todo mundo pode anular o voto em 2022 e dizer que nunca votou em cristãos novos da liberdade. 

Pegue a sua merda junto 

O governador Romeu Zema, se quiser realmente provar que é capaz de fazer algo novo em Minas Gerais, precisa lembrar que ele não é mais dono de meia dúzia de lojas do interior do estado. Mas sim chefe do executivo de uma UF com mais de 850 cidades.

O estado tem uma série de problemas graves. Nenhum se resolverá com a venda de fotos do Fernando Pimentel ou deixando de entregar meia dúzia de medalhas para pessoas de relevância contraditória.

O exercício de um cargo de poder exige certos privilégios. Eficiência administrativa não se conquista indo até o Aeroporto de Confins com uma dúzia de seguranças e assessores sempre que precisar ir até uma cidade do interior.

Quando se é governador, não há espaço para ficar esperando o momento em que um avião comercial levantará voo em direção a uma cidade polo. Tão menos tempo para viajar 500km em uma estrada com manutenção de pouca qualidade na direção de algum vilarejo no meio do Vale do Rio Doce.

A não ser, é claro, que você queira governar para a RMBH. Aí tá tranquilo. Caso contrário, talvez seja uma boa escolha não vender todas as aeronaves do governo. A realidade cobra o seu preço rapidamente.

Desmatando a verdade

As falas do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, no Roda Vida da última sexta-feira (12), beiram o desespero. Temos um ministro, em tese responsável por cuidar das nossas florestas, que trata a nossa complexidade econômica, ecológica e industrial como quem trata o sistema de esgoto de um bairro. 

Na entrevista, o ministro não só mentiu, mas manipulou dados, não defendeu o que ele deveria defender, atacou um dos maiores defensores do meio ambiente da nossa história e fez lobby para empresas que vivem de explorar o meio ambiente. Mas nada disso será o bastante para ele cair do cargo. Afinal de contas, só cai no governo Bolsonaro quem briga com os filhos do capitão, não quem mente.                                                     

Joice in the sky with diamonds

O dia a dia de Joice Hasselmann como deputada consegue superar o surrealismo dos seus vídeos no YouTube. A deputada promoveu, logo no começo do mês, um culto religioso para “exorcizar” o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do gabinete (que foi ocupado pelo petista entre 1987 e 1991). 

Era mais fácil ter puxado o saco de algum macho e conquistado outro gabinete de sua preferência. Não é como se ela já não fizesse isso com grande empenho com as bolas do presidente Bolsonaro. 

A estratégia claramente não deu certo. O espírito do petismo já entrou no corpo da deputada que, junto com outros membros do PSL, apresentou uma série de CPIs para blindar o governo e tentar deixar os petistas de fora. Como um parlamentar petista faria no mesmo cenário. 

Ainda sobre a mania de copiar os petistas da paulista, Joice manteve velhos hábitos. Nos seus primeiros dias de trabalho, apresentou um projeto para proibir o “vossa excelência”. Uma ideia de Roberto Requião e que já foi vetada por Temer.  

O gabinete, por sinal, conta com várias algemas. Elas têm como objetivo dar voz de prisão àqueles que tentarem corrompê-la. Se ela aparecer com uma roupa de látex e um strap-on, as possibilidades de sucesso são maiores.

Ninguém espera a inquisição bolsonariana

Chama a atenção do blog a revelação de que o governo Bolsonaro quer conter a Igreja Católica como opositora da sua administração. Assusta mais ainda saber que a ABIN espionou cardeais brasileiros em busca de mais dados sobre a realização do Sínodo sobre Amazônia, em outubro.

Considerando o histórico de acusações e abusos das últimas décadas, esse esse encontro tem tudo para ser uma grande troca de figurinhas sobre os melhores coroinhas da noite romana. Um monte de velho gordo e celibatário reunido tem preocupações maiores do que a nossa soberania nacional (especialmente se o assunto envolver as curvas de jovens índios sem pelo na região pubiana).

Se for para colocar a ABIN para espionar religioso, que seja para verificar se não há cobrança de dízimo de maneira pouco ortodoxa. Os resultados certamente serão mais interessantes.

Casa de Bragança reversa 

Todo mundo sabe que os Bolsonaro têm uma paixão pela monarquia. O que ninguém esperava é que o governo fosse parecer como uma monarquia decadente de terceiro mundo.

De um lado, há o nobre decadente que tenta ser mais relevante do que realmente é. Olavo de Carvalho anda com mais dor de cotovelo do que aquela sua ex que te viu superar o fim do relacionamento em poucos meses. Direto dos Estados Unidos, sofre com a indiferença do vice, tenta colocar a militância contra quem realmente importa e vira o próprio meme do “Galvão?” “Diga lá, Tino.” “Sentiu.”

Os filhos do presidente, que não foram eleitos para serem presidentes, influenciaram em várias decisões como se estivessem no lugar do vice. Nas horas vagas, chamam de mentiroso alguém com informações para destruir o governo a qualquer hora. Se não destruir, pelo menos fazer Bolsonaro precisar de um novo cu

Até a Joice Hasselmann sabe que isso não é uma boa ideia (resta saber de quem ela copiou o pensamento). 

Carlinhos, aquele que dizem namorar o primo (tal qual um monarca faria), tem o seu próprio bobo da corte e garoto de recados no Planalto. Nem parece que o Rio de Janeiro está lotado de problemas que precisam ser solucionados com urgência. 

Enquanto isso, Paulo Guedes, Sergio Moro e os militares lutam para conseguir fazer qualquer coisa de relevante. Isso, é claro, torcendo para que nenhum pupilo do capitãozinho se revolte contra eles.

Até o momento, o governo Bolsonaro consegue superar o nível de bagunça de qualquer cartum feito por um francês iluminista crítico ao monarca Luis XVI. Só falta saber quando a guilhotina descerá. 

E agora, para algo completamente diferente  

A morte de Ricardo Boechat é uma facada para o jornalismo de opinião sério brasileiro. Ainda mais no momento atual, em que qualquer bobo (este que escreve incluso) se acha relevante o bastante para dizer várias bobagens na web. O careca conseguiu o respeito de todos os lados da política fazendo algo que nenhum editor de páginas como Terça Livre conseguirão: sendo ético, transparente e justo, como mostra Reinaldo Azevedo em seu blog


Todos os posts da série estão disponíveis aqui.

(com a revisão da @fogeluana)

Publicado por guilhermehmds

Guilherme gosta de História, de discutir, de estudar, de Formula 1 e de batata. Guilherme adora uma batata.

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