A Golden Shower Tour foi tão incrível que merecia um post só para ela, mas como esse é um resumo de toda a 12ª semana do governo, iremos um pouco além.


Golden shower intensifies

Depois de fazer durante o Carnaval um cursinho preparatório sobre o que o presidente Trump gosta, Jair Messias chegou à capital dos EUA no domingo (17), e fez uma visita de três dias. Vamos ao resumo dessa tour do horror e vergonha alheia:

Assusta ao blog, um presidente que pretendia colocar o “Brasil acima de tudo” ceder tanto por tão pouco. Bolsonaro lambeu as bolas de Trump tão bem, mas tão bem, que pode trocar o apelido de águia para Stormy Daniels.

A mudança na política de vistos, por sinal, é algo pouco comum. Pode ser apenas um “choque de realidade” e pragmatismo do governo, mas, no final das contas, não é como se os moradores desses países tivessem tanto interesse em vir passear no Brasil, ou houvesse alguma dificuldade para isso, quando desejam.

O mesmo vale para a base de Alcântara. Não temos tecnologia para construir os nossos foguetes e, se fossemos buscar apoio de outras nações que não a norte-americana, ainda precisaríamos do apoio de Trump (considerando que o Congresso fosse liberar a integração).

Para todos os fins, mesmo com a Fox News apontando os laços do presidente com bands, é possível dizer que Bolsonaro se deu até relativamente bem com o passeio em solo americano.

No Chile, o presidente se reuniu com Sebástian Piñera e outras pessoas relevantes para discutir a criação do Prosul, um bloco que promete ser tão irrelevante quanto a Unasul. A visita foi boicotada por parlamentares do país.

O boicote aconteceu após o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, elogiar Pinochet e dizer que, apesar do “banho de sangue” promovido pelo ditador, a economia era até boa. Pegou mal, e olha que a gente já chegou lá com o filme meio queimado.

Rio de Janeiro, a Sin City brasileira

E o Rio de Janeiro, hein? Linda, a cidade (e o estado) não continuam.

Além de ser terra de milicianos e dos traficantes mais perigosos e loucos do país, o Rio de Janeiro também é um celeiro de gente corrupta. Me faz até dar razão a Marcelo Crivella.

Enquanto eu escrevo este texto, é possível afirmar que todos os governadores (eleitos e vivos), estão na prisão, ou já passaram alguns dias dentro de uma cela, com exceção de Benedita da Silva. O mesmo vale para os presidentes da Assembléia Legislativa estadual: os que ocuparam o cargo entre 1995 e 2017 também foram presos.

No Tribunal de Contas, a situação não é muito melhor: em 2017, 5 dos 6 conselheiros foram parar na cadeia. Já 6 dos 70 deputados que deveriam bater ponto na Assembleia estavam presos no dia em que deveriam tomar posse.

O blog insiste que a solução para o Rio de Janeiro é a mesma do Brasil: vender todo o terreno e transformá-lo em um grande parque de diversões e turismo ecológico.

10 pequenas notas do quinto dos infernos

Saiu o relatório do promotor especial Robert S. Mueller sobre as suspeitas de conspiração entre Donald Trump e a Rússia. Mueller disse muito, mas acabou falando nada de relevante (por hora).

UFC da Toga

DISCLAIMER: o blog tem cu, tem medo e não tem assistência jurídica gratuita. Portanto, os comentários do blog sobre os fatos a seguir são os presentes nos links que acompanham cada fato. Reclamações devem ser direcionadas aos autores das colunas de opinião, que têm fácil acesso a apoio jurídico.

Nas últimas semanas, os agentes da lei mostraram que, entre si, a vida é muito mais agitada do que uma novela mexicana.

Como o blog informou há algumas semanas, Gilmar Mendes não gostou de saber que a sua esposa, Guiomar, teve as contas verificadas por membros do MPF. Eu poderia dizer que quem não deve, não teme, mas é compreensível a preocupação do juiz do Supremo com a sua privacidade.

Dias depois, o Ministério Público resolveu criar uma fundação. Baseados em lei nenhuma e com objetivos pouco claros, os procuradores de Curitiba tiveram a ideia de criar uma fundação para usar parte do dinheiro recuperado pela operação Lava Jato para um “investimento social em projetos, iniciativas e desenvolvimento institucional de entidades idôneas que reforcem a luta da sociedade brasileira contra a corrupção” e mais um monte de coisa bonita.

Um dos procuradores chamou de “má-fé” as críticas ao fundo e para todos os fins, pegou mal. Raquel Dodge, procuradora-geral da República, entrou com uma ação no STF para anular a ideia, e agora, o fundo que nunca existiu, não existirá.

No dia seguinte, Gilmar Mendes chamou os procuradores da Lava Jato de “gentalha”, “gente desqualificada”, “despreparada”, “covarde”, “gangsteres”, “cretinos”, “infelizes” e “reles”, porque “integram máfias, organizações criminosas”. Ao fim, apontou que a “força-tarefa é sinônimo de patifaria”. Tudo isso enquanto decidia se delitos de caixa dois devem ser julgados ou não pela Justiça Eleitoral.

O ministro, que já foi chamado de “mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia“, foi responsável por um dos seis votos que deram aos membros do Ministério Público mais uma derrota em um período de menos de 30 dias.

Já na terça-feira (19), o ministro do STF Alexandre de Moares avisou aos procuradores que eles poderiam exercer o “direito de espernear” à vontade, mas se espernear em excesso, correm o risco de serem investigados pela corte.

Tal qual uma sub celebridade que tanta manter a fama, os procuradores da Lava Jato não conseguiram ficar dois dias longe das páginas de notícia. Na manhã da quinta-feira (dia 21), o juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato do Rio de Janeiro, mandou prender o ex-presidente Michel Miguel, o seu amigo e ex-ministro Moreira Franco, Coronel Lima – apontado como operador de Temer – e outras pessoas de menor relevância.

A partir de informações obtidas em uma delação homologada em 2017 e com fatos que pouco justificavam a prisão, a libriana Michel Temer e os seus colegas foram dar um passeio pelo Rio (Moreira Franco, por sinal, tinha acabado de sair de um quando foi preso).

Uma barbaridade”, disse Temer ao jornalista Kennedy Alencar. O blog é solidário à opinião do ex-presidente sobre a cidade carioca.

Teve gente que apoiou, teve gente fazendo cosplay de Regina Duarte, teve gente que viu de longe, teve gente que foi contra, teve gente que apontou problemas na ordem dada pelo juiz bombadinho. Para todos os fins, o ex-presidente foi solto depois de passar o final de semana em uma sala razoavelmente confortável por ordem de um desembargador do TRF2.

No meio tempo, o não-mais-envolvido-diretamente-com-a-Lava-Jato, Sergio Moro, ainda conseguiu arrumar uma briga com Rodrigo Maia. Uma briga que, como vimos posteriormente, adicionou mais uma derrota para os formados em direito (dessa vez, não diretamente ligada à operação da turma que é contra a corrupção de rico e de pobre).

Pensar que tudo poderia ser evitado se os procuradores da Lava Jato tivessem enviado uma fotinha pro pessoal do STF.

Quando o cisne começa a virar patinho feio

O número de pessoas que aprovam o governo foi de 49% em janeiro, para 34% em março. Ainda segundo o Ibope, a avaliação “ruim ou péssima” já atinge 24% (em janeiro, era de 11%). 

Não é algo igual a Dilma ou Temer, Mas é o pior começo de governo desde Collor, sem nem roubar uma poupança alheia. O mito não é tão imune aos problemas do seu governo como se pensava.

Após a décima segunda semana do governo Bolsonaro, já dá para afirmar, sem arrogância, mas com absoluta convicção, que este país não vai dar certo?


Todos os posts da série estão disponíveis aqui.

Com edição e revisão da Luana de Assis.


Publicado por guilhermehmds

Guilherme gosta de História, de discutir, de estudar, de Formula 1 e de batata. Guilherme adora uma batata.

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