100 dias de governo Bolsonaro, 100 dias de um Brasil como forma de frustração. O que não estava bom, ficou ruim e agora piorou.

Vem comigo, internauta.


Dia 01 (01-jan): começa a Nova Era. O aprendiz de presidente chegou prometendo acabar com um socialismo que jamais existiu em terra brasilis. Bolsonaro sobe a rampa do Planalto.

Dia 02 (02-jan): a ministra Damares Alves causou rebuliço no internet ao afirmar que “menino veste azul e menina veste rosa”, mas se quiser usar outras cores pode.

Dia 03 (03-jan): Em entrevista ao SBT, o presidente afirmou que pretende acabar com a Justiça do Trabalho e jogou Fabricio Queiroz aos leões.

Dia 04 (04-jan): o ministro Sergio Moro apresentou o texto do Projeto de Lei Anticrime pois o crime é feio, bobo e chato. E também reciclou ideias que já haviam sido rejeitadas.

Dia 05 (05-jan): o imóvel que Bolsonaro disse estar a venda será ocupado por um dos filhos do presidente.

Dia 06 (06-jan): a ex-chefe do Ibama, Suely Araújo, lembrou ao presidente e ao ministro do Meio Ambiente que, para acusar ou insinuar que alguém é corrupto, é necessário convicção e provas. Descobrimos parte dos lucros que Fabricio Queiroz obteve fazendo rolo.

Dia 07 (07-jan): a Folha de S.Paulo levantou dados sobre como a família Bolsonaro enriqueceu na política.

Dia 08 (08-jan): conhecemos o nepotismo técnico: o filho do vice-presidente foi promovido a assessor especial da presidência do Banco do Brasil.

Dia 09 (09-jan): a multa que Bolsonaro recebeu do Ibama por cometer crimezinhos ambientais foi anulada. O presidente da Apex foi demitido.

Dia 10 (10-jan): um amigo de Bolsonaro foi indicado ao cargo de gerente de Segurança da Petrobras.

Dia 11 (11-jan): morreu Ricardo Boechat.

Dia 12 (12-jan): o Intercept mostrou que o Queiroz é muito humilde.

Dia 13 (13-jan): os ministérios da Justiça e das Relações Exteriores tentaram faturar em cima de uma prisão que não fizeram.

Dia 14 (14-jan): a Folha de S.Paulo revelou que o presidente pagou para uma assessora trabalhar – mesmo ela não trabalhando – por quase dois anos.

Dia 15 (15-jan): o governo usou uma caneta Bic para diminuir os entraves para a posse de armas. Só faltou comentar que o seu eleitor, que também só tem dinheiro para comprar uma caneta, não tem grana para adquirir uma arma de fogo.

Dia 16 (16-jan): um ex-deputado que defende a caça de animais silvestres se tornou presidente do Serviço Florestal Brasileiro.

Dia 17 (17-jan): o filho do presidente, que disse que não há a necessidade de se ter foro privilegiado, pediu ao STF para usar o foro privilegiado.

Dia 18 (18-jan): depois de alguns deputados aprontarem altas confusões na China, a direita entrou em guerra. O Arthur do Val/Mamãe Falei, inclusive, insinuou que alguns cometeram crimezinhos.

Dia 19 (19-jan): segundo o Jornal Nacional, Flávio Bolsonaro teria recebido bastante dinheiro do mesmo jeito que um bands receberia.

Dia 20 (20-jan): Lauro Jardim trouxe informações de que Queiroz, que foi motorista de Flávio Bolsonaro, teria movimentado R$ 7 milhões em três anos.

Dia 21 (21-jan): a Folha de S.Paulo afirmou que Flávio Bolsonaro é ótimo em valorizar imóveis.

Dia 22 (22-jan): segundo informações do jornal O Globo, Flávio Bolsonaro empregou gente que tem caso com bands.

Dia 23 (23-jan): a BBC revelou que Flavio Bolsonaro tinha um vira-tempo pessoal, ocupando um cargo na Câmara dos Deputados em Brasília e fazendo faculdade e estágio no Rio de Janeiro.

Dia 24 (24-jan): o presidente do Inep anunciou que pretende deixar Bolsonaro examinar o Enem antes da prova ser aplicada.

Dia 25 (25-jan): após Jean Wyllys sair do país, a direção da EBC ordenou que os seus canais se calassem sobre o tema. Já a revista Veja revelou que Flávio Bolsonaro, segundo o Coaf, é muito mais rico do que deveria.

Dia 26 (26-jan): Sergio Moro caçou briga com Jeann Wyllys.

Dia 27 (27-jan): quem tem poder de lobby começou a fazer lobby contra a previdência.

Dia 28 (28-jan): Ricardo Velez afirmou que essa história de “ensino superior público, gratuito e de qualidade” é uma grande bobagem e que “universidade para todos não existe”.

Dia 29 (29-jan): Salim Mattar disse que não quer vender até a cueca do presidente.

Dia 30 (30-jan): o jornalista Tiago Rogero confirmou que o MEC censurou os vídeos sobre Marx, Engels e Nietzsche que o ministério disse que não tinha censurado após o jornalista ter descoberto que o MEC censurou vídeos sobre Marx, Engels e Nietzsche.

Dia 31 (31-jan): a revista Época contou a história de como a ministra Damares Alves teria sequestrado uma criança indígena.

Dia 32 (01-fev): a Joice mostrou que ainda comete plágio e que tem dificuldades para ter as próprias ideias. Já o agora ex-ministro da educação afirmou que “o brasileiro viajando é um canibal” em entrevista à revista Veja.

Dia 33 (02-fev): após vários pequenos probleminhas, Davi Alcolumbre foi eleito presidente do Senado.

Dia 34 (03-fev): Renan Calheiros caçou briga com Dora Kramer no Twitter após ela publicar uma coluna tripudiando do senador.

Dia 35 (04-fev): a Joice resolveu exorcizar um espírito de petista do seu gabinete enquanto o governo recebeu, da Folha de S.Paulo, uma dica de quem merece ser realmente exorcizado: o suposto chefe de laranjal e ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Dia 36 (05-fev): a primeira tentativa do líder do governo, Major Vitor Hugo (PSL-GO), de reunir líderes partidários para discutir a reforma da Previdência deu muito ruim.

Dia 37 (06-fev): o presidente do PSL, Luciano Bivar, afirmou que os deputados que não estiverem satisfeitos com o partido podem pedir uma carta de desfiliação por justa causa, e logo em seguida o pau quebrou entre o deputado Eduardo Bolsonaro e a Joice.

Dia 38 (07-fev): Ciro Gomes lembrou ao jovem que o “Lula tá preso babaca”.

Dia 39 (08-fev): o governo tentou evitar uma rebelião de partidos aliados suspendendo nomeados e despensas de cargos comissionados por tempo indeterminado.

Dia 40 (09-fev): surgiu na imprensa a história de que Sara Winter seria nomeada para o Ministério dos Direitos Humanos.

Dia 41 (10-fev): o governo foi caçar briga com homem de saia, pois essa coisa de usar saia e ter rola só pode ser coisa de gente de esquerda.

Dia 42 (11-fev): Bolsonaro perguntou a Mourão se o vice-presidente queria matá-lo. Matar a gente não garante, mas tirar do poder, quem sabe?

Dia 43 (12-fev): no programa Roda Vida, Ricardo Salles mentiu, manipulou informações, esqueceu do seu trabalho e fez lobby para empresa que destrói o meio ambiente.

Dia 44 (13-fev): Carluxo Bolsonaro atacou Gustavo Bebianno. Enquanto isso, a Joice lembrou que arrumar briga com quem guarda segredos não é uma boa ideia.

Dia 45 (14-fev): militares e Rodrigo Maia se uniram para tentar impedir o governo de fazer merda.

Dia 46 (15-fev): no meio dos problemas entre Bebianno e a família Bolsonaro, Mourão lembrou que esse tipo de problema se resolve no privado e não por indireta no Twitter.

Dia 47 (16-fev): Eduardo Bolsonaro atacou Bebianno e colocou o agora ex-ministro para fritar um pouco mais em rede nacional.

Dia 48 (17-fev): os Bolsonaros mostraram que gostam de pular de partido em partido tal qual Ciro Gomes e agora querem refundar a UDN.

Dia 49 (18-fev): o governo fez merda e ainda falou de um modo imbecil sobre a merda que fez.

Dia 50 (19-fev): o governo do homem que podemos chamar de “burro”, “fascista”, “desonesto”, “desqualificado”, “racista”, “corrupto”, “canalha”, “nepotista” e “boquirroto” teve a sua primeira de muitas mortes horríveis na Câmara.

Dia 51 (20-fev): o governo finalmente apresentou uma reforma da Previdência para chamar de sua, também de uma maneira imbecil.

Dia 52 (21-fev): o vice-presidente lembrou que, ao contrário do que pensa Bolsonaro, o Brasil não é os EUA e invadir a Venezuela é uma sandice.

Dia 53 (22-fev): a revista IstoÉ mostrou que uma irmã de milicianos que trabalhou para Flávio Bolsonaro que é cheia de mutreta.

Dia 54 (23-fev): a revista Veja disse que os milicianos aparentados com as pessoas que trabalhavam para o filho do presidente entraram na mira da Receita Federal. Já o The Intercerpt Brasil lembrou que o ministro Ricardo Salles mente no seu currículo.

Dia 55 (24-fev): a coisa ficou feia na fronteira do Brasil com a Venezuela.

Dia 56 (25-fev): o ministro da Educação resolveu colocar as crianças para cantar o hino nacional.

Dia 57 (26-fev): o ministro da Educação admitiu que essa coisa de cantar o hino não é uma boa ideia e voltou atrás (mas não por completo). Já o 4chanceler afirmou que existe socialismo do bem.

Dia 58 (27-fev): o presidente, que só fala e faz merda, foi tirar a bolsa de coco.

Dia 59 (28-fev): Bolsonaro adiantou o trabalho da oposição e começou a desidratar a reforma da Previdência e aproveitou para mostrar que tem medo de mulher até quando ela não manda em nada.

Dia 60 (01-mar): a revista IstoÉ mostrou como a família Bolsonaro usou dinheiro de otário para eleger pessoas.

Dia 61 (02-mar): o presidente tornou mais difícil pro brasileiro ajudar o seu sindicato preferido a sobreviver.

Dia 62 (03-mar): o Intercept mostrou como o presidente adora ser marmita de gente escrota.

Dia 63 (04-mar): o presidente anunciou a “Lava Jato da Educação” e o seu filho Carluxo mostrou que não entende muito de edição de foto no Instagram.

Dia 64 (05-mar): Jair Bolsonaro começou a estudar o que é Golden Shower para a sua visita aos EUA.

Dia 65 (06-mar): no Twitter, o ministro do Meio Ambiente relacionou uma coluna do alemão Philipp Luchterbeck (que criticava o governo) com o nazismo, e ainda tentou pautar a editoria de um órgão da imprensa estrangeiro.

Dia 66 (07-mar): Olavo de Carvalho pediu que os seus alunos abandonassem o navio sem rumo que é o governo Bolsonaro. Já Bolsonaro mostrou que não entende quem é que garante a democracia.

Dia 67 (08-mar): o liberal Bolsonaro prometeu impedir o Brasil de comer banana importada do Equador.

Dia 68 (09-mar): o 4chanceler apertou a mordaça do Itamaraty.

Dia 69 (10-mar): Guedes anunciou que quer mudar completamente a forma como o orçamento é estruturado, enquanto Onyx Lorenzoni foi passear na Antártida.

Dia 70 (11-mar): após Bolsonaro mentir e atacar uma jornalista que deu entrevista a um site francês, a página informou que o político precisa de um cursinho da CCAA.

Dia 71 (12-mar): descobrimos que os Bolsonaros também deram beijo em parente de bands.

Dia 72 (13-mar): Bolsonaro demorou seis horas e um post sobre comida para comentar algo sobre o atentado de Suzano. Já o fundo bilionário da força-tarefa da Lava Jato, que nunca existiu, deixou de existir de vez.

Dia 73 (14-mar): o Diário Oficial da União (DOU) colocou uma porcaria em vigor e nomeou algumas pessoas para o Ibama.

Dia 74 (15-mar): Paulo Guedes afirmou que quer vender até a cueca do Bolsonaro.

Dia 75 (16-mar): o que fazer quando o professor torce contra? Em um evento no Trump Hotel, em Washington, Olavo de Carvalho chamou Mourão de “um cara idiota” e disse que se o governo continuasse como estava, não durava seis meses.

Dia 76 (17-mar): Bolsonaro foi passear em Washington, mentindo sobre o lugar em que tirou uma soneca.

Dia 77 (18-mar): Paulo Guedes pediu com jeitinho para o Brasil entrar na OCDE.

Dia 78 (19-mar): o Ministério das Relações Exteriores esqueceu que o país é subdesenvolvido e anunciou que abrirá mão do tratamento especial na OMC.

Dia 79 (20-mar): o presidente levou à Câmara a reforma da Previdência militar enquanto o maior partido da oposição jogava Apex Legends.

Dia 80 (21-mar): Onyx Lorenzoni elogiou a ditadura Pinochet no dia em que chegamos ao Chile. Afinal de contas, ser impopular apenas com os brasileiros não é o bastante para o governo.

Dia 81 (22-mar): em uma entrevista à Gaúcha Atualidade, Mourão avisou que Olavo de Carvalho “atingiu um limite em termos de ofensa pessoal”. Bolsonaro mandou um nude presidencial pro STF.

Dia 82 (23-mar): Rodrigo Maia chamou o governo de “deserto de ideias”.

Dia 83 (24-mar): Passamos uma vergonha de caráter oficial no Chile.

Dia 84 (25-mar): o ministro general Carlos Alberto dos Santos Cruz, da Secretaria de Governo, chamou Olavo de Carvalho de desequilibrado.

Dia 85 (26-mar): Bolsonaro foi ver um filme e Sergio Moro resolveu estudar a Lei da Oferta e da Demanda.

Dia 86 (27-mar): o presidente negou a ditadura e disse que ela teve alguns probleminhas. O blog discordou.

Dia 87 (28-mar): o Ibama exonerou o servidor que multou o presidente por pescar em área protegida.

Dia 88 (29-mar): Bolsonaro foi aprender como ter hombridade.

Dia 89 (30-mar): o Intercept mostrou que a ditadura que o presidente gosta prendeu muito mais gente do que pensávamos.

Dia 90 (31-mar): o Planalto mandou um zap defendendo o golpe civil-militar de 1964.

Dia 91 (01-abr): Mourão tirou o dele da reta e culpou Bolsonaro pelo zap zap pró-ditadura. Já o empresário paulista Osmar Stábile afirmou ter pago pelo vídeo (mas não disse como ele foi parar em Brasília).

Dia 92 (02-abr): Bolsonaro visitou o Memorial do Holocausto, em Israel, e afirmou que o nazismo era de esquerda. O memorial discorda. O vice também. O Nexo explica.

Dia 93 (03-abr): Paulo Guedes finalmente apareceu na CCJ da Câmara e passou vergonha junto com os deputados governistas e da oposição.

Dia 94 (04-abr): a realidade bateu de novo na porta, e Bolsonaro teve que fazer velha política.

Dia 95 (05-abr): Bolsonaro percebeu que não nasceu para ocupar o cargo para o qual ele foi eleito. Só falta sair dele.

Dia 96 (06-abr): após o presidente anunciar o fim do horário de verão, e na ausência de maiores problemas, o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, afirmou que a prioridade agora é livrar o país da tomada de três pinos, das urnas eletrônicas e do acordo ortográfico. Foda quando você é miserável e burro demais para aprender a escrever direito e ou trocar uma tomada.

Dia 97 (07-abr): a Nova Era se tornou absurdamente impopular, pelo menos é o que aponta o Datafolha.

Dia 98 (08-abr): o ministro da Educação foi demitido depois do presidente falar que ele não perderia o cargo. No seu lugar, assume um lunático mais lunático ainda. Já o Rodrigo Maia cansou mais uma vez e disse que não é “mulher de malandro”.

Dia 99 (09-abr): o 4chanceler mostrou que não gosta muito de críticas e demitiu mais um presidente da Apex.

Dia 100 (10-abr): sobre o fuzilamento do músico Evaldo Rosa, no dia 7, o ex-juiz e atual ministro da Justiça, afirmou que episódios do tipo “podem acontecer”. O presidente não quis piorar e se manteve calado.

Os comentários completos para cada semana você encontra no link no final do texto. Até breve!


Todos os posts da série estão disponíveis aqui.

Com edição e revisão da querida Luana de Assis.

Publicado por guilhermehmds

Guilherme gosta de História, de discutir, de estudar, de Formula 1 e de batata. Guilherme adora uma batata.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *