The following takes place between jun-25 and jul-01


Narcos (2015) 

Na Nova Era, a série Narcos faz spin-off no Brasil. Na terça-feira (25), um sargento da Aeronáutica foi preso em Sevilha, na Espanha, com 39 kg de cocaína. O milico estava no grupo de apoio da viagem de Jair Bolsonaro ao G20, no Japão, e foi pego no flagra quando o avião fez uma escala no país.

Para o vice-presidente Hamilton Mourão, “uma atitude dessa natureza não brotou da cabeça” do sargento. Ok, homem cis geralmente pensa com a cabeça de baixo, e não com a de cima. Mas algo me diz que, nesse caso, não é correto afirmar que o militar utilizou a parte ao sul da linha do Equador na tomada de decisão.

O militar já esteve envolvido em 29 viagens oficiais, desde 2011. Acompanhou, portanto, Dilma Rousseff, Michel Miguel e Jair Bolsonaro. Foi preso na administração do terceiro, por mérito único e exclusivo da polícia da Espanha. Felizmente, apenas a militância abobada do presidente acreditou na ideia de que ele tinha alguma responsabilidade direta na prisão do traficante.

O apertado pescoço de Marcelo Álvaro Antônio

Na quinta-feira, o café do recepcionista de turista, Marcelo Álvaro Antônio. ficou mais amargo do que ele gostaria. A Polícia Federal anunciou a prisão temporária de três pessoas ligadas ao ministro, incluindo o seu assessor especial. Assim como o encarregado pela pasta, elas estão envolvidas no escândalo do Laranjal do PSL em Minas Gerais.

O ministro, naturalmente, nega que as suspeitas sejam verdadeiras. Jair Bolsonaro, por outro lado, não pede uma punição severa caso o ministro tenha cometido criminhos. Sabe como é, né? Bolsonaro foi eleito para combater a corrupção de todos (aqueles que se colocam contra o seu governo ou criticam as falas do guru da Virgínia).

Sobre o tema, o PSL acredita que a investigação tem seletividade e está voltada para atingir o partido. Há quem diga, inclusive, que Marcelo Álvaro já está utilizando dinheiro do partido para financiar camisas escritas #MALivre caso algo de errado ocorra.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Keeping up with the #VazaJato

A terça-feira da #VazaJato tem show de Glenn Greenwald na Câmara dos Deputados, e ele alertou os deputados, em especial a Carla Zambelli. Lembrou que a relação de Moro com os procuradores do MPF era semelhante a um espetáculo de BDSM e não perdeu a chance de dar pequenos tapas de luva nos abobados do PSL.

Mas o PSL não foi o único partido que praticou livre argumentação de absurdos. A deputada Policial Katia Sastre (PL-SP), afirmou que o jornalista americano deveria ser preso. Afinal, para ela, Greenwald “em conjunto com o hacker [que ninguém sabe que existe e/ou foi a fonte do material] cometeu crime [que ela não apontou qual seria]”.

Como uma pessoa que leva em seu nome político um cargo responsável por fazer valer a lei, a deputada & policial Katia Sastre, é uma péssima deputada e horrorosa membra do braço armado do Estado.

O cu de Deltan Dallagnol segue não sendo arrombado. O corregedor do Conselho Nacional do Ministério Público, Orlando Rochadel, mandou arquivar a investigação sobre as revelações da #VazaJato. Para ele, não há como comprovar a legitimidade das mensagens e tão menos existem “ilícito funcional” nas atitudes do procurador.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, discordou. Para ele, as mensagens, comprovadas a sua veracidade, são “graves” e revelam um “problema ético” capaz de colocar deputado ou senador no Conselho de Ética. Ou na prisão.

Como se as revelações de parcialidade e compromisso com a derrubada de todo o sistema político (começando pelo PT) não fossem já claras o bastante, no dia 29 soubemos que Deltan tentou acelerar ações contra Jaques Wagner “because fuck you, thats why“.

Vai dia, vem dia, e seguir discutindo se foi hacker ou não é tão importante quanto discutir o sexo dos anjos. Enquanto as matérias sobre as trocas de mensagens não atingirem quem realmente importa, Lula continuará sonhando com a mão amiga da ONU, já que o MPF quer ele preso por mais tempo.

Para todos os fins, pelo menos a gente não é a procuradora Jerusa Viecili, que mesmo percebendo como a Lava Jato atuava por dentro, insistiu, em vão, que os procuradores se manifestassem contra Bolsonaro durante as eleições.

Moro 3 x 0 Lula  

A terça-feira (25) foi movimentada no STF. Por iniciativa de Gilmar Mendes, a segunda turma do tribunal votou os dois pedidos que poderiam liberar o ex-presidente Lula. Ambos foram negados.

Sentindo-se muito cansados e direcionando a sua atenção para outras coisas, os juízes resolveram colocar a toga para descansar após as suas deliberações sobre Lula. Sai vitorioso, no final das contas Sergio Moro, que terá a sua suspeição julgada apenas após o fim de recesso, em agosto.

Sisu pela reforma da Previdência  

Na quarta-feira (26), o governo abriu o sistema digital de vários ministérios para os parlamentares que toparem votar a favor da reforma da previdência. Cada congressista poderá solicitar até R$ 20 milhões (R$ 10 milhões caso apoie na comissão especial da Câmara e R$ 10 milhões caso o apoio seja no plenário) dos cofres públicos. Os recursos podem ser direcionados para obras e investimentos como a construção de creches e redutos eleitorais.

É errado que o fez? Não.

É ilegal? Também não.

É o que o presidente prometeu fazer? Pelo contrário.

É divertido ver o governo realizar esse trabalho em troca da reforma? Ô se é.

Disaster artist

Bolsonaro anunciou, antes de embarcar para o Japão, que a sua agenda no G20 estaria cheia. As reuniões programadas incluíam os chefes de Estado e de governo de países como França, os EUA, China, Índia, Singapura, Japão e Arábia Saudita.

O que, a princípio, é uma ótima iniciativa. Para alguém que passou a vida pregando protecionismo, é louvável ver o esforço do presidente em integrar o Brasil com quem manda no planeta.

O problema é que Jair chegou em Osaka achando que os presidentes das outras nações aceitariam as suas falas com a mesma passividade de um entrevistador da Rede Record. Logo de cara, Emmanuel Macron sinalizou que poderia vetar acordos comerciais com o país caso o Brasil abandonasse o acordo climático de Paris. Já a alemã Angela Merkel disse que via com “preocupação” as medidas anti-ambientais tomadas pelo ministro do Meio Ambiente e o governo como um todo.

Em resposta, o presidente exigiu “respeito” ao Brasil (corta para Jair compartilhando vídeo de golden shower e falando em mamadeira de piroca nas escolas públicas) e que a Alemanha tinha muito o que aprender com o país. Não contente, também avisou que não foi para o outro lado do mundo para ser “advertido” por outras nações.

Augusto Heleno, o médium, encarnou o espírito de Enéas Carneiro e afirmou que a Alemanha tem interesse em explorar as florestas brasileiras. Perguntou, também, “quais são as florestas que o europeu preservou?” A resposta: proporcionalmente, muito mais do que o governo brasileiro. Inclusive enviando dinheiro para o nosso país fazer isso.

A Alemanha é um país que mantém, há mais de uma década, uma primeira ministra governando sem grandes dificuldades. Abriu as suas portas para refugiados de guerra, tem um PIB gigante e uma população absurdamente educada.

O país também preserva uma quantidade indecente de florestas e realiza pesados investimentos em tecnologia, educação e inovação. Além disso, sabe rememorar o passado sem comemorar os piores momentos da sua história como algo bom.

Ainda bem que eles só buscaram lições educacionais do Brasil nos livros do Paulo Freire.

Brincando de liberalismo e sustentabilidade

Uma boa forma de conseguir respeito de outros países é, de fato, se preocupar com o meio ambiente. Como apontou Philip Alston, relator especial da ONU para pobreza extrema e direitos humanos, o nosso presidente “prometeu abrir a Floresta Amazônica para a mineração, acabar com a demarcação de terras indígenas e enfraquecer as agências de proteção ambiental.” E fez isso.

Esperar que um conjunto de medidas contra o meio ambiente não gere críticas de quem se importa com a sobrevivência das florestas mundiais é uma postura típica do nosso presidente: alguém que age continuamente fazendo algo que todo mundo avisa que dará merda, e reclama que é criticado quando dá merda.

Quando o presidente parou de passear e foi lidar com os adultos na sala, a sua postura seguiu a de criança birrenta, como sempre. Bolsonaro cancelou o encontro oficial com presidente francês, Emmanuel Macron, para conversar com o centrista informalmente. Felizmente, Jair sinalizou o interesse de se manter vinculado ao Acordo do Clima de Paris.

No mundo das pessoas adultas, a coluna Painel S.A., da Folha de S. Paulo, informou que a CNI (Confederação Nacional da Indústria), fez um pesado lobby para garantir que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul virasse realidade. Os industriais trabalharam para neutralizar as ações da França, ainda que a aprovação do acordo possa levar a um aumento de concorrência no mercado interno.

Deu certo. Apesar de ter feito pouco pela sua finalização, Jair Bolsonaro pode voltar para o Brasil como o presidente que conseguiu concluir os trabalhos para a assinatura do tratado comercial entre a União Europeia e o Mercosul. E olha que o G20 começou com o Putin falando em decadência do liberalismo (com anuência do Brasil).

O acordo, que você pode ler o do governo aqui, é o resultado do trabalho de muita gente ao longo das últimas duas décadas. Diplomatas, ministros e presidentes de vários países costuraram os detalhes de cada artigo, produto e imposto que poderá ser comercializado com condições especiais. O Petit Journal explicou em alguns minutos os pontos mais importantes.

Sai vitoriosa a equipe do presidente, ainda que o seu trabalho tenha sido apenas impedir que a assinatura fosse enrolada por mais alguns anos. Também comemoram o tratado todos os agricultores e fazendeiros que agora poderão vender muito para os países da UE.

E, se eventualmente o acordo passar por todos os parlamentos que ele precisa passar para ser realidade, também ganha o Brasil, que terá acesso a champagne da França e mais motivos para cuidar das nossas florestas. Afinal, agora o governo brasileiro tem mais um documento para obrigá-lo a impedir madeireiro de derrubar floresta ilegalmente e empresário da indústria nacional de poluir horrores.

Saída à moda Collor

Após as consultorias técnicas do Senado e da Câmara afirmarem que o decreto que flexibiliza o porte de armas é ilegal, Bolsonaro tentou refazer a proposta, excluindo os pontos contraditórios. Como governante burro cercado de pessoas imbecis que ele é, enviou para o Senado outro texto inconstitucional.

Diante do empasse, o porta-voz da Presidência, general Otávio Rego Barros, negou que o governo revogaria a proposta ou colocaria qualquer tipo de empecilho para que a votação ocorresse no Congresso. Após o primeiro ministro virtual, Rodrigo Maia, avisar que deputados e senadores votariam pela derrubada da nova versão do projeto, Jair fez o que era mais certo, democrático e correspondente às suas afirmações anteriores e revogou o decreto por ele criado.

No lugar, o Diário Oficial da União publicou três novos decretos e um projeto de lei sobre o tema. O governo não explicou mais detalhes sobre os decretos e o PL, e a página ficou fora do ar após a sua publicação.

Imagina se existisse uma forma diferente de dialogar com o Poder Legislativo que não fosse travando a sua pauta com Medida Provisória.

A ideia de Bolsonaro não é burra apenas por ser ilegal, mas também pelos efeitos diretos e indiretos. Jair conseguiu criar antipatias até mesmo com as lideranças das casas que são simpáticas a um afrouxamento das leis de posse e porte de armas de fogo. Tudo por não ter um pingo de respeito com os ritos tradicionais (e legais) da política.

Indo além, não se pode esquecer que tentar impedir o livre funcionamento do Poder Legislativo é crime de responsabilidade. Mais precisamente, vai contra o art. 6º, 1, da Lei 1079/1950. Não é como se a gente já não tivesse derrubado presidente por muito menos (volta, Collor, a sua tentativa de liberalismo pelo menos foi mais sincera).


Todos os posts da série estão disponíveis aqui.

Escrito pelo Guilherme. Editado e revisado pela Luana com os toques sagazes da Marinna.

Publicado por guilhermehmds

Guilherme gosta de História, de discutir, de estudar, de Formula 1 e de batata. Guilherme adora uma batata.

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