A últimas duas semanas foram agitadas. A COVID-19 finalmente passou pela fiscalização em Curitiba, o governo continuou brincando de ser uma contradição ambulante e a economia está encolhendo mais rápido do que carro de Formula 1.

Lave as mãos e veja tudo isso e muito mais no resumo abaixo (e não se esqueça de compartilhar o link para este post com os amigos, se gostar, e com os inimigos, se não gostar).


The following takes place between mar-03 and mar-16


Blackadder brasileiro

Uma das várias notícias negativas dos últimos dias foi o resultado do PIB de 2019. Ele foi pior do que o de 2018, mas não tão ruim quanto o de 2020 promete ser.

Para comentar o cenário desastroso, o presidente resolveu chamar um humorista capaz de tripudiar jornalistas de uma maneira mais vergonhosa do que tradicional. Já o ministro da economia e vendedor de terreno na lua, Paulo Guedes, resolveu tripudiar com a cara da nação.

Guedes continuou brincando com a expectativa alheia e mostrando que é mais otimista do que a filosofia de Leibniz. O ministro agora aposta em um crescimento acima de 2% para 2020.

Até dá a impressão de que o Executivo está negociando a aprovação das reformas estruturais que ele não enviou e que o presidente não está atacando os poderes hora sim, hora também. O FMI, por outro lado, foi mais realista e já afirmou que o nosso crescimento seguirá medíocre.

Vale a nota: o ministro da economia tem mais ou menos “PT semanas” para “mudar o Brasil”. O prazo de 13 domingos foi dado pelo próprio presidente como uma forma de garantir que Guedes mostre serviço e não perca os seus privilégios ministeriais.

Mas podemos ficar tranquilos, já que o economista tem um plano tão astuto que você pode colocar um rabo nele e chamá-lo de doninha: aprovar as reformas administrativa (que ficou para a semana que vem) e a tributária (que ficou para algum dia aí) até julho.

Não dá para dizer que é divertido ver isso tudo. No começo do governo, Guedes e Bolsonaro acusavam o Congresso de não deixar o Executivo trabalhar. O Planalto chamava os pedidos de articulação vindos do Congresso de jogo sujo e dizia que o Legislativo não ajudava a passar as propostas que os parlamentares aprovaram independentemente do lobby feito pelo presidente a favor da sua desidratação.

Agora, o governo retoma a narrativa (com apoio da sua base política e social) de que o Congresso não quer aprovar as suas reformas mesmo não tendo enviado nada para os senadores e deputados debaterem. Guedes e Bolsonaro estão agindo como aquele cara que não faz a mulher gozar e diz que o problema está nela e não no fato de ele transar como uma britadeira.

O problema do Brasil não é apenas a pandemia causada pelo novo vírus corona. O risco-país está crescendo não mais pelo cenário externo, mas também pelas atitudes do Planalto (algo que também impacta no câmbio). É fácil entender por qual motivo Mansueto Almeida tem dormido mal em uma hora dessas: não deve ser fácil fazer parte de um governo de lunáticos completamente descolados da realidade social.

Coisas que podem dizer muito, mas podem não dizer nada

Dia desses o governo brasileiro anunciou que todas as pessoas que fossem ligadas a Nicolás Maduro deveriam sair do Brasil. No mesmo dia, mandou todos os funcionários públicos brasileiros saírem da Venezuela.

Tais medidas foram tomadas enquanto o presidente estava em viagem aos EUA, brincando de pegar Covid-19 com Donald Trump. Em um comunicado conjunto, ambos anunciaram que apoiariam a “democracia na região” americana. Também assinaram um acordo nas áreas de “pesquisa, desenvolvimento, testes e avaliações” de tecnologia militar.

Pode ser apenas mais uma lambidinha do presidente na glande em formato de cogumelo atômico de Donald Trump. Mas quem se interessa pela Venezuela deveria ficar um pouco mais atento.

Limpando a bota alheia com a glote

Falando em gente que gosta de lamber o saco alheio, Sergio Moro montou em seu tanquinho virtual e foi tentar se responsabilizar pelo sucesso do trabalho que ele não fez. Mas não sem antes tentar bater na esquerda, claro. Tem sempre que tentar bater na esquerda.

Após Ciro Gomes atribuir o fim do motim de PMs no Ceará à ação do governador Camilo Santana e ao seu irmão (e piloto de trator) Cid Gomes, Sergio Moro ficou putinho. O ministro da Justiça afirmou que os louros na verdade deveriam enfeitar os cornos do governo federal. Aquele que outro dia estava colocando nas costas do governador cearense a responsabilidade de garantir o fim do motim.

Enquanto isso, o diretor da Força Nacional chamou os policiais criminosos de “gigantes” e “corajosos” na assembleia que definiu o fim da greve ilegal. Em notas relacionadas, Aginaldo de Oliveira, além de ser alguém que acha interessante validar ação criminosa, também é casado com uma deputada bolsonarista e é subordinado do ministro da Justiça e de um ex-candidato ao governo do Ceará.

E o que o seu chefe fez diante disso tudo? Bem, Sergio Moro preferiu não demitir o ministro que apoiou atitude criminosa. E disse que os criminosos, que cometeram crimes em cadeia nacional, não deveriam ser tratados como criminosos.

É mole? Não é mole não.

Males que foram para o bem

Que o presidente Jair Bolsonaro passou a penúltima semana atacando a imprensa, não é novidade. Essa atividade ele faz com frequência maior do que a que o seu antigo enfermeiro limpava a sua bolsa de popoti. O que é engraçado, porém, é que a atitude hostil do presidente salvaria jornalistas.

Após colocar um humorista para dar bananas aos repórteres, Bolsonaro questionou o que levava os profissionais a fazerem o seu trabalho. No mesmo dia, em uma de suas lives, disse que não falaria mais com os jornais brasileiros. O crime? Publicarem o que o presidente falou.

Inspirado nas relações de Donald Trump com a CNN, Bolsonaro resolveu proibir a Folha de S. Paulo de enviar um profissional para cobrir o seu jantar com o presidente americano. “Ainda bem”, deve estar imaginando o jornalista que seria enviado para os EUA nesta altura do campeonato: após voltar para o Brasil a comitiva presidencial passou a brincar de “resta um” de infectados pelo coronavírus.

Brincando de ditador para não lidar com os próprios problemas

A viagem aos EUA não serviu apenas para bajular Donald Trump. Ela também ajudou Bolsonaro a cometer mais um criminho de responsabilidade: enquanto discursava para apoiadores, o presidente afirmou, com base em vozes da sua cabeça, que as eleições que ele ganhou em 2018 foram fraudadas.

Bolsonaro afirmou com base “nas provas que ele tem em suas mãos” e que seriam mostradas em breve, que ele ganhou mais de 51% dos votos válidos no primeiro turno das eleições de 2018. Quando o Planalto foi cobrado das provas, porém, a informação oficial foi outra: Bolsonaro mentiu.

No mesmo dia a boquinha do inferno achou tempo para postar no Twitter que brincou de pintar uma tela no ateliê do pintor Romero Britto, posar com o ex-piloto de Fórmula 1, Emerson Fittipaldi, debater programa da Rede Globo e falar que o coronavírus estava sendo superdimensionado.

É tanto absurdo em um prazo tão curto que, se falta de decoro realmente fosse crime de responsabilidade, o presidente tinha caído um número de vezes maior do que o número de tijolos utilizados na construção da muralha da China. A eficiência em interditar o debate com o que importa fez até as pessoas esquecerem que ele apoiou as manifestações do último dia 15 antes de embarcar para o exterior.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

O vem e vai do veto 52

O coronavirus tem dominado tanto o debate que nem parece que, até outro dia, o presidente estava criticando o parlamento por fazer exatamente aquilo que o seu governo propôs que fosse feito. Vamos ao cronograma das disputas em torno de R$ 30 bilhões do Orçamento impositivo.

O primeiro acordo

Primeiro, o ministro Luiz Eduardo Ramos gastou um dia negociando com os parlamentares. A ideia, segundo Rodrigo Maia afirmou no dia 02, era reservar R$ 11 dos R$ 30 bilhões do orçamento que seria direcionado aos parlamentares. Bolsonaro não gostou e queimou o ex-general um pouquinho só para dar uma variada.

O segundo acordo

No dia seguinte, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, junto com deputados, senadores e membros do governo, negociou um novo acordo. Dessa vez, R$ 10 bilhões seriam destinados para a Câmara e outros R$ 5 bilhões, para o Senado. Tudo isso sem o líder do PSL na Câmara presente.

O terceiro acordo

Mas como o assunto já não estava confuso o bastante, o governo resolveu enviar para o Congresso um novo projeto. A ideia, agora, era dividir os R$ 30 bilhões igualmente entre o poder Legislativo e o poder Executivo.

O Congresso estava até disposto a abrir mão de parte do seu poder sobre o Orçamento. Bastava um gesto de repúdio à afirmação do ministro Augusto Heleno de que o Legislativo estava chantageando o Planalto.

Ganha um doce quem adivinhar como o presidente não falou contra o seu amigo que já foi general.

Mesmo assim o Congresso votou com o governo, assim como tinha votado a favor do Planalto quando este queria entregar R$ 30 bilhões para os parlamentares.

Toleraram que Bolsonaro ficasse sem atacar um de seus gurus e topasse andar ao lado de Montesquieu. Desse vez os parlamentares pediram apenas que o governo mandasse, na semana passada, um projeto reafirmando o desejo de dividir a execução dos R$ 30 bilhões entre o Executivo e o Legislativo.

O ataque do governo aos acordos que o governo realizou

Enquanto os movimentos bolsonaristas mantinham a sua manifestação golpista marcada, os líderes da Câmara e do Senado brigavam entre si. Havia uma grande desconfiança de que o presidente do Senado não tinha controle sobre os senadores. Também havia a impressão de que Bolsonaro não faria a sua parte do acordo.

O que, no final das contas, fez todo sentido. O Planalto chegou a enviar o acordo prometido para votação. Mas, não seguindo os seus auxiliares, articulou com a sua base para que ela votasse contra o projeto do próprio governo.

Em agradecimento à boa vontade do poder Legislativo, Bolsonaro seguiu apoiando de maneira velada as manifestações que foram marcadas para o dia 15. Fez até chantagem com o Congresso. E olha que Rodrigo Maia adotou um tom apaziguador com o presidente e pediu paciência a todos os envolvidos na história.

Um grande acordo, com o Congresso e o presidente mudo

Após avaliar a possibilidade de desidratar o discurso oficial do presidente e simplesmente largar o dinheiro pra lá, os parlamentares deram um recado para todo mundo e aumentaram o gasto com o BPC (mesmo sem o governo ter grana para isso). Também resolveram lembrar ao Planalto que os parlamentares, quando unidos, são bem fortes.

Mas, ao fim e ao cabo, a discussão sobre quem será o dono desse dinheiro ficará para depois: o Congresso resolveu dar uma diminuída nos trabalhos graças ao coronavírus e postergar a sua decisão sobre o tema.

The Shrinkage

Os últimos dias tem sido difíceis para quem acreditou em todos os traders de internet que vendiam a Bolsa de Valores como o melhor lugar do mundo para fazer dinheiro fácil. A combinação de briga de oligarca com vírus pandêmico fez os mercados brincarem de montanha russa. As previsões econômicas andam mais pessimistas do que os petistas que foram para a votação do impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

Parte da queda veio pelas incertezas em relação à Covid-19. A outra parte foi a briga dos oligarcas bilionários em relação ao preço do petróleo. Após uma conversa que não deu muito certo com a Rússia, a Arábia Saudita resolveu fazer a maior queda no preço do barril desde a Guerra do Golfo.

Desde então a Ibovespa está mais derrubada do que alcoólatra funcional em final de Carnaval. O movimento acompanhou as bolsas de outros países e as negociações foram interrompidas com uma frequência tão grande, que o blog simplesmente resolveu não contar o número de circuit breaks que foram acionados no período. Foram vários.

Negacionismo com as economias alheias

Enquanto tudo isso acontecia, o governo resolveu brincar de negacionismo. Ou melhor, a parte do governo que gosta de microfone brincou de negar a realidade.

Paulo Guedes, diante do crash causado pela queda do petróleo, disse que deveríamos transformar “a crise em crescimento” e “em geração de emprego”. Afinal de contas, a melhor forma de combater uma pandemia é aprovando reformas estruturais que só terão impacto fiscal a médio e longo prazo.

Quando Guedes caiu na real e lembrou que o emprego dele anda mais disputado do que a cadeira de Regina Duarte, o ministro anunciou um conjunto de medidas para reduzir o impacto que o vírus terá na economia. O impacto total será de R$ 147,3 bilhões e se distribuirá entre aumentos de gastos e antecipações de recursos como: reforços no Bolsa Família, transferência de verbas para o FGTS e facilitação de crédito para negócios. O Nexo tratou melhor sobre o assunto.

Não está claro, porém, se as verbas ficarão disponíveis a tempo de salvar vidas (ou torná-las menos miseráveis). Também não se sabe se o gesto impedirá a economia de continuar em queda livre. Da última vez que o blog conferiu, o Ibovespa seguia em queda e o Brasil continuava a ser visto como um país cheio de investimentos ruins.

Em notas não relacionadas, Guedes finalmente acertou uma previsão. No dia 12 de março, o ministro afirmou que, se ele “fizer muita besteira, o dólar pode ir a R$ 5 reais“. Quatro dias depois o dólar bateu R$ 5 reais.

Outras pequenas notas do Quinto dos Infernos

Boomer remover

Agora vamos falar do protesto do último domingo. Sim, não vamos ignorar essa pauta.

Após a Secom afirmar que a manifestação não era contra o Congresso e o STF, a população mais suscetível à Covid-19 resolveu sair às ruas para pedir o fechamento do Congresso e do STF. Já Jair Bolsonaro, que disse que não validou às manifestações (que ele validou), passou parte do seu dia dando legitimidade aos protestos golpistas.

No final do dia, Bolsonaro saiu do seu quarto e cumprimentou 272 pessoas por 58 minutos. Depois, deu uma entrevista afirmando que as medidas tomadas por governadores cansados de esperar orientação do Planalto eram inválidas. Antes de fechar a manilha de bosta, ainda convidou os presidentes do Legislativo a saírem às ruas como ele fez.

É temerário que um presidente desfaça todo o trabalho do seu ministro da Saúde por pura rinha. Pior ainda é ver ele indo contra os protocolos oficiais e agindo como se ele estivesse com a saúde em dia ou fosse um jovem de 24 anos. Não é o caso: além de velho, Jair Bolsonaro teve o corpo debilitado por um ataque há menos de dois anos.

Se comportar como uma criança mimada e que enxerga as ações a favor da saúde de milhões de pessoas como se fossem uma mobilização contra o seu governo é digno de riso. Aliás, é algo que deveria ser estudado por um psicólogo. Certamente há algum CID para esse tipo de atitude.

Se o presidente coloca o Brasil acima de tudo, deveria se portar como quem não quer ficar ao lado de Deus e acima de todos. Suas atitudes afetam todos que entram em contato ele.

E eu nem me refiro aos manifestantes que foram ao seu encontro em Brasília: caso Bolsonaro tenha algum problema de saúde (e ele provavelmente tem) a sua mesquinhez, a sua irresponsabilidade e a sua estupidez serão responsáveis por colocar em risco a saúde dos ministros que atuam na linha de frente do combate à Covid-19.

A escolha em 2018 pode até ter sido difícil. Mas Bolsonaro tem tornado muito simples a de 2022.

Vamos fazer um combinado?

Muitas pessoas estão dividindo a sua cota de paranoia entre a Covid-19 e as chances de o presidente aproveitar o momento para derrubar de vez a democracia. Provas de que Bolsonaro não gosta do modo como as coisas atuais funcionam são vastas: não é como se o ocupante da cadeira mais poderosa do país se esforçasse para esconder o seu desapreço pelo regime que o manteve no poder por três décadas enquanto ele brincava de sindicalismo pró-PM.

Existem duas alternativas para a escalada autoritária do presidente. Uma delas é o grupo de democratas sair do imobilismo, construir uma frente ampla de oposição e derrubar (ou tirar do poder) o cosplayer pobre de Donald Trump.

Essa alternativa tem como base a ideia de que Bolsonaro realmente tem um plano para derrubar a democracia capaz de ser executado (é pouco provável que ele seja tão inteligente, mas divago) com sucesso. Mas, para que o revival de Frente Ampla consiga dar certo, articulações com o PT deverão ser feitas. O partido ainda é relevante e dá legitimidade para um movimento como esse.

Se Carlos Lacerda, Juscelino e João Goulart conseguiram se abraçar por um bem maior, vocês também conseguem, liberais do dois ladismo intelectual.

A outra alternativa é começar a tratar o presidente como o que ele provavelmente é: um político com muito sonho autoritário, pouco tutano para executar os seus instintos mais primitivos e uma língua sempre afiada para falar absurdos e desviar a opinião pública dos podres de seu governo.

Essa opção, se escolhida, também não pode tratar Bolsonaro como alguém que jamais seria capaz de cometer um autogolpe. O Brasil não é um país de democracia robusta o bastante para que a gente se volte para às nossas questões privadas sem medo.

De crise em crise o presidente pode sim fazer um revival feio de abril de 1964. Mas enquanto ele anima a sua base mais fiel com a sua retórica surrealista, os seus arreganhos autoritários servem mais para os democratas avaliarem a capacidade de ação das gralhas golpistas do que para colocar um cabo e um tanque na frente do STF.

Em todo caso, não basta expor as sandices presidenciais para a opinião pública se, em 2022, a melhor alternativa à presidência for o Mussolini de Maringá.

Mas para alguma coisa o isolamento moral do presidente pode servir, que é no combate à Covid-19. Nos últimos dias, os presidentes da Câmara e do Senado se reuniram com o ministro da Saúde para discutir medidas contra o coronavírus enquanto Bolsonaro estava no Twitter. O mesmo fizeram os presidentes da Argentina, Chile, Uruguai, Equador, Peru, Paraguai, Bolívia e Colômbia.

Estavam certos. Não há como esperar que alguém que fica ocupado brincando de paranoia possa cuidar de um tema tão grave. Nessas horas é mais interessante deixar os adultos trabalharem enquanto a criança com faixa presidencial fica em um canto brincando com os seus bonecos de G.I. Joe.

A Próxima Vítima.mp4

Bolsonaro tem tratado a sua saúde e a saúde de seus subordinados como trata a Constituição nacional. Desde que voltou da sua viagem aos EUA, o presidente tem negado estar com a Covid-19. No mesmo período, todo o seu círculo próximo foi diagnosticado com a doença.

O presidente faz de conta que a doença não é grave, abusa de estatísticas e chama a epidemia de “fantasia”. Incentivou a manifestação golpista do último dia 15 sempre que possível e ainda deu as mãos para algumas centenas de pessoas que participaram dos atos em Brasília.

Mesmo sabendo que não é médico ou infectologista, contrariou as recomendações do próprio governo e se expôs a todo tipo de situação de risco. Tudo isso para desmoralizar Luiz Henrique Mandetta, que cometeu o crime de fazer exatamente aquilo que um ministro de Estado deve fazer.

Bolsonaro pode continuar a fazer o seu discurso para a sua claque de apoiadores sempre que considerar interessante. Mas, quando se trata de evitar que o Brasil vire uma nova Itália, é mais interessante liberar recursos para o ministério da Saúde e deixar Mandetta trabalhar normalmente.

Não fazer isso, no final do dia, certamente prejudicará a capacidade dos Bolsonaro de se perpetuarem no poder se um novo candidato, mais forte, saudável e democrata, aparecer por aí: não dá para se eleger outra vez se o seu público-alvo ficar doente e morrer, presidente.


Escrito pelo Guilherme e revisado com a ajuda da Ninna. Qualquer erro pode ser apontado diretamente no meu Twitter ou até mesmo no meu Curious Cat.

Publicado por guilhermehmds

Guilherme gosta de História, de discutir, de estudar, de Formula 1 e de batata. Guilherme adora uma batata.

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