É muita merda para um país só.

Não se esquece de compartilhar o texto com todo mundo que é seu coleguinha (e com quem não é também).


The following takes place between abr-07 and abr-13


Fazendo o trabalho do coleguinha e nem recebendo os créditos por isso

Enquanto a reforma administrativa segue no status “será enviada semana que vem”, os outros poderes tentam salvar a economia. A começar pelos estados e municípios.

A Câmara finalmente aprovou o projeto de socorro financeiro a governadores e prefeitos. O impacto nos cofres da União é estimado em algo próximo de R$ 90 bilhões.

Paulo Guedes, para variar, não gostou. Agora o ministro da Economia quer mudar completamente o pacote no Senado. Ou pedir que Bolsonaro corte todos os benefícios de uma só vez.

Mais uma vez, como articulador político, Guedes se mostra um excelente palestrante.

Pacotinho Mansueto

A negociação do pacote dos Estados teria sido mais responsável se o governo tivesse optado pelo diálogo no lugar da sua estratégia tradicional. Não adianta realizar confronto com a Câmara dia sim, dia também, e esperar que ela atenda às suas demandas. Parlamentares representam um número muito maior de eleitores do que o presidente e não são obrigados a fazer exatamente o que Guedes sonha todos os dias.

Os parlamentares certamente não adotaram a melhor postura durante a negociação dos pacotes. Ele poderia ser muito melhor. Mas, na ausência da liderança e apoio básico do Executivo, ninguém pode dizer que faltou aviso.

Se você não testar, não tem como falar que há gente doente

São múltiplas as matérias em jornais apontando que há subnotificação dos doentes de Covid-19. Testamos pouco e, a depender do cronograma do ministério da Saúde, continuaremos a testar abaixo do previso. O boletim epidemiológico da pasta relevou que há a previsão de entrega de menos da metade dos testes que o país pretende adquirir (ou já adquiriu).

9,2 milhões de 22,9 milhões de testes devem ser entregues até julho. Por outro lado, o governo aposta que o pico de contaminações ocorrerá um mês antes. Em um país rodeado por gestores acostumados a tomar decisões movidas por dados, é reconfortante saber que não teremos um registro fiel da nossa situação no momento mais crítico da pandemia.

Gag-ball presidencial

Jair Bolsonaro quer mostrar para todo mundo que ele manda e a sua caneta é muito poderosa. Insatisfeito com o modo como os adultos combatem a pandemia (seguindo as recomendações da OMS), o presidente partiu para o ataque. Primeiro, centralizando as divulgações de anúncios sobre o coronavírus: tudo passará pela Secom.

O Capitão Corona também mudou o comitê de crise montado para centralizar as ações durante a pandemia. Além de desautorizar os seus membros publicamente, o órgão deixou de ter a atuação direta de ministros. Quem manda agora é o CCOP (Centro de Coordenação de Operações).

As atitudes de Jair são ótimas escolhas para quem quer colocar a conta das mortes por Covid-19 no colo dos governadores. Afinal, se você fez quase nada para enfrentar o vírus, não dá para dizer que o fracasso das medidas de contenção é culpa sua, não é mesmo?

Pequenas notas do Quinto dos infernos

O voucher que não é voucher

Após o governo e Bolsonaro não ajudarem, Paulo Guedes mostrar que não conhece a máquina pública (outra vez), a TI da Caixa Econômica Federal realizar um trabalho exemplar e a Câmara tomar as rédeas da situação, o aplicativo e o site para a obtenção da Renda Básica Emergencial finalmente ficou de pé. Aos poucos (mas não tão rápido quando deveria) os pedidos estão sendo aprovados (ou recusados) e a transferência do dinheiro é realizada.

Vale lembrar: pedidos feitos por quem não pode receber implica em cometimento de criminhos.

Se você estiver devendo para a família Setúbal (ou o senhor Santander), pode ficar tranquilo. O dinheiro não poderá ser utilizado para cobrir eventuais pagamentos em atraso. Ou o cheque especial.

O desafio do governo não é pequeno. Mais de 20 milhões de trabalhadores informais não fazem parte dos registros oficiais do poder público. Para esse grupo, o Executivo reservou R$ 25 bilhões, o bastante para proteger apenas 13,8 milhões de pessoas.

Celebrity Death Match

Bolsonaro e Mandetta resolveram tirar a semana para serem amigas e rivais. Na quinta-feira (09), por exemplo, o presidente avisou que “paciente pode trocar de médico“.

Até então, nada de muito diferente no dia a dia de quem trabalha para Bolsonaro e não liga muito para as suas asneiras. Mas horas antes, aliás, o ministro Onyx Lorenzoni e o deputado federal Osmar Terra foram pegos brincando com um boneco de voodoo parecido com o ministro da Saúde.

Para parlamentares, o áudio da CNN mostra que Onyx vê Bolsonaro como alguém que não tem um porte de atleta. Em notas relacionadas, o bull mais careca do país chegou a telefonar para governadores na segunda-feira como se já fosse ministro. Tudo normal.

O ministro da Saúde tentou manter a pose durante a semana, chegando a afirmar que o comandante do time é Bolsonaro. Tentando passar panos quentes na sua fritura pública, Mandetta afirmou tranquilidade para tomar as suas decisões.

No mesmo dia, o presidente foi ao rádio e a TV afirmar que a cloroquina é boa (mesmo sem estudo capaz de mostrar o contrário). Bolsonaro também não deixou de culpar os governadores e prefeitos pelas medidas de isolamento social. Os mais desavisados sobre a estrutura tributária nacional até pensariam que é o governo federal o mais afetado pelas ações para conter a pandemia (ou que a caneta dele serve para algo).

Durante o final de semana, Mandetta seguiu apostando que era capaz de quebrar a banca ou forçar a sua demissão com sucesso e foi à Rede Globo fazer entrevista reforçando que devemos seguir as ordens da OMS. O desafio do ministro da Saúde, porém, deu com os burros n’água: agora, nem os militares que apoiavam o ministro querem a sua permanência no cargo.

Na entrevista à rede de TV que Bolsonaro menos gosta, o ministro afirmou que “o brasileiro não sabe se escuta o ministro ou o presidente“, continuou defendendo o isolamento e fez de conta que Bolsonaro não ignora as recomendações do seu ministério (e da OMS). A seguir esse ritmo, não há ameaça de chuva de processos no STF que salvará o ministro e a população brasileira.


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Escrito pelo Guilherme e revisado com a ajuda da Ninna. Qualquer erro pode ser apontado diretamente no meu Twitter ou até mesmo no meu Curious Cat.

Publicado por guilhermehmds

Guilherme gosta de História, de discutir, de estudar, de Formula 1 e de batata. Guilherme adora uma batata.

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