A desmoralização da PGR, a desmoralização do PT e a desmoralização da democracia. Tudo isso e muito mais no post de hoje.

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The following takes place between mar-26 and jun-01


Polícia Federal: a lei é para todos?

Para quem sentia saudades de acordar com operação da Polícia Federal, terça-feira foi um dia animado. A Operação Placebo foi às ruas para comer o cu do governador do Rio, Wilson Witzel, e os seus subordinados. As acusações? Desvios em contratos de R$ 825 milhões.

Sobrou até para as caixas d’água dos hospitais de campanha do Rio. Diz a investigação que Witzel fez um esquema semelhante ao de Sergio Cabral: desvio de recursos por meio do escritório de advocacia da sua esposa, Helena Witzel.

Witzel acusou o governo federal de estar praticando perseguição política contra ele. Disse o governador que ele continuará lutando contra quem adota as práticas fascistas que ele executou no passado e que não permitirá que a América Latina tenha outro ditador. Faz sentido a acusação? Olha, se você utilizar o chapéu de alumínio correto, sim.

Eu sei o que você fez no verão passado

Na véspera da operação no Rio, a deputada Carla Zambelli deu entrevista à imprensa e afirmou que governadores seriam alvo da Polícia Federal “nos próximos meses”. No mesmo dia, a superintendência da PF no Rio mudou de comando.

Também é importante apontar que o inquérito foi instaurado pela PGR no dia 12 de maio. É tradicional que inquéritos assim comecem a partir de uma denúncia, o que não foi o caso. Mas há quem diga que o Planalto recebeu um dossiê sobre o assunto em detalhes.

Mesmo que Flávio Bolsonaro jure que a acusação do governador carioca seja absurda, há caroço nesse angu. Isso é inegável.

Quem sai mal disso tudo é a PF. Graças às falas do presidente e de seus aliados próximos, o que mais existe na República é a certeza de que Jair Bolsonaro conseguiu sufocar a instituição com uma corda bem apertada. O blog não ficaria assustado se alguns delegados já estivessem com saudades da Dilma Rousseff e do Lula no poder.

Rasteira em quem tem a perna curta

A Polícia Federal não atrapalhou a vida só do governador carioca nessa semana. O inquérito das fakes news partiu para cima de um monte de mentiroso profissional e amador pelo país. Mais precisamente, em 29 endereços, incluindo Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

Todos os envolvidos estão sendo acusados de estarem ligados diretamente e indiretamente ao “gabinete do ódio” e à rede de disseminação de mentiras, ataques e ameaças. Nomes do meio empresarial incluem o Velho da Havan e Edgard Corona, da Smart Fit.

Os alvos estão com os perfis no Facebook, no Twitter e no Instagram bloqueados. A medida permitirá ao STF avaliar com mais cuidado o comportamento dos suspeitos na web. Além disso, reduz as chances de qualquer rastro de ação durante a eleição ser apagado.

Falta, ainda, o maior suspeito da operação, o Carlucho. Bolsonaro, inclusive, teme que o STF esteja próximo de ser atingido diretamente pelo inquérito. O blog espera que o presidente esteja certo pois otário tem mais é que se dar mal.

Advogados gerais da República

O inquérito do STF levanta muitas dúvidas sobre a sua legalidade. Há quem diga que ele seja totalmente legal, como é o caso de Reinaldo Azevedo. E há quem jura, só agora, que existem problemas na peça. A começar pela PGR.

O Procurador Geral da República afirmou que se surpreendeu com a operação e pediu a suspensão do inquérito. Diz o procurador que a medida era necessária para preservar as “garantias fundamentais”. Mas em 2019, Augusto Aras afirmou que o inquérito deveria continuar e que as suspeitas de inconstitucionalidade eram balela.

Seguiu o discurso do PGR o ministro da Justiça. André Mendonça, aliás, não só criticou a ação como apresentou um habeas corpus preventivo em nome dos investigados e de Abraham Weintraub. Quem representa os membros do governo em processos não é a Advocacia Geral da União?

No seu Twitter, Jair Bolsonaro provocou e disse que as operações são “um sinal de que algo de muito grave está acontecendo com nossa democracia”. Também mandou uma indireta para o decano da Corte. Fazendo coro ao seu filho, disse que bancará o Renan Calheiros e ignorará toda medida da Justiça que ele considerar absurda.

Normal isso aí I

Em notas não relacionadas, Bolsonaro elogiou o trabalho de Aras à frente da PGR. O presidente também disse que ele é cotado para uma das vagas que podem ser abertas no Supremo até 2022. Existem dois ministros que devem ser aposentar antes que Bolsonaro dispute a reeleição.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

A fábrica de notas de repúdio strikes again

Diante de tudo isso o presidente da Câmara dos Deputados colocou a máquina de nota de repúdio para trabalhar. Rodrigo Maia lembrou que todo mundo deve manter o decoro durante a pandemia. Também fez um convite à pacificação dos espíritos e o foco no combate à pandemia.

Mas ainda é cedo para uma CPMI contra o governo ou um impeachment.

O golpismo continua em alta na República das Bananas

Semana vai, semana vem, e as vivandeiras da ditadura seguem cheias de charme. E dessa vez o blog nem se refere às falas do presidente. Ou às do seu filho.

Mais uma vez um grupo de golpistas se uniu em Brasília para protestar contra o STF. Jair validou a manifestação de helicóptero e à moda de Mussolini. Sempre sem máscara, claro.

Os 300 de Brasilia fizeram alguns photo-ops e mostraram que, na verdade, de 300 esse grupo não tem nada. Com várias alusões imagéticas ao neo-fascismo moderno, chegaram até a gravar um vídeo em frento ao STF no meio da noite.

A crise é estética demais da conta.

Frente ampla porém nem tanto

Grupos democráticos e que não querem ver o Brasil fazer cosplay de Hungria começaram a se unir nos últimos dias para montar notas de repúdio poderosas contra os avanços do presidente à institucionalidade democrática-liberal do país. O mais bonito de todos é o “Estamos Juntos“, que uniu Lobão, Caetano Veloso, FHC, Fernando Haddad, Dino e até Marcelo Freixo.

O movimento já passou um quarto de milhão de assinaturas. A meta é clara: reunir pessoas que gostam da democracia liberal. Simples, não?

Pelo visto, não. Luiz Inácio Lula da Silva resolveu jogar um pouco mais a sua imagem no lixo e não quis assinar o manifesto. Dizendo que não tem idade para ser “Maria vai com as outras“, deixou de fazer parte de qualquer iniciativa. Essa coisa de defender a democracia, pelo visto, não é de interesse do trabalhador.

O ex-presidente também falou que não anda mais no mesmo bonde de FHC e Temer. Chega a ser engraçada a sua postura. Além de já ter feito parcerias com os dois quando foi conveniente, o mesmo Lula que hoje nega apoiar movimentos em que ele e o PT não são protagonistas é o Lula que, em 2018, cobrava o apoio de Deus e o mundo a Fernando Haddad no segundo turno.

Foda.

Normal isso aí II

Pessoas não estão furando a quarentena só para protestar pelo direito de ser iFood de covid-19 ou por um golpinho militar. Há também quem faça isso para defender a democracia. Ou pelo menos tentar.

Sim, pois é complicado tentar defender a democracia quando a PM parte para cima de você. Especialmente se a polícia for reprimir a sua manifestação apontando um fuzil para quem está desarmado. Ou quando a mão só é amiga com quem é branco e usa um taco de baseball na rua como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Ou às vezes o Brasil está em um novo normal e o blog não recebeu o memorando. Pode acontecer.


Todos os posts da série estão disponíveis aqui.

Escrito pelo Guilherme e revisado com a ajuda da Ninna. Qualquer erro pode ser apontado diretamente no meu Twitter ou até mesmo no meu Curious Cat.

Publicado por guilhermehmds

Guilherme gosta de História, de discutir, de estudar, de Formula 1 e de batata. Guilherme adora uma batata.

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