Na última semana: o Bolsonaro fodeu a Petrobras, o Guedes tentou te foder, o Senado tentou foder o STF e o Brasil se fodeu.

Configura tudo isso e muito mais no resumo da semana #113 do governo Bolsonaro, agora em casa nova.


The following takes place between feb-23 and mar-01


Sapo caiu na lagoa

A semana foi boa para o F.B (Republicanos-RJ): ele ganhou uma ajuda do STJ para conseguir escapar da acusação de ter desviado dinheiro público e ainda comprou uma mansão com juros estranhamente baixos.

O Superior Tribunal de Justiça considerou nula a quebra de sigilo fiscal e bancário do senador (que é filho do presidente), de seu ex-assessor (e amigo de miliciano) Fabrício Queiroz e outros acusados de roubar dinheiro público quando F. B. batia ponto no Rio de Janeiro como deputado estadual.

A medida abalou um bom pedaço da investigação que acusou Flávio de receber parte dos salários de seus ex-funcionários de gabinete. Afinal, não é só a quebra de sigilo fiscal que foi anulada: as provas que foram obtidas a partir da ação também podem ser retiradas do processo no futuro.

Flávio B. disse que “depois de dois anos de massacre, fico satisfeito”. Mas ainda há água para correr por debaixo essa ponte: os promotores do Ministério Público do RJ querem utilizar as mensagens trocadas entre Fabrício Queiroz e o miliciano Adriano da Nóbrega para manter a investigação ativa.

O blog deseja toda sorte aos concurseiros de luxo, especialmente considerando que outros podem não ter a mesma sorte: quem investiga casos parecidos em outros locais tem alta chance de perder todo o trabalho feito até o momento.

A família Bolsonaro pode aproveitar que o Conselho de Ética da Câmara arquivou a representação contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) feita pela Joice (PSL-SP) e se reunir na casa de hétero, digo, mansão de F. Bolsonaro para comemorar a sequência de boas notícias. Não é todo mundo que tem o privilégio de ter uma semana abençoada como a dos filhos do presidente.

Em tempo: onde está Carlos Bolsonaro? Saudades, Carlos Bolsonaro.

Jair acima de tudo, outras coisas a gente deixa pra depois.

Se uma coisa a última semana mostrou é que não existe apoio pela metade ao governo Bolsonaro. Quem ainda fala em pontos positivos no governo o faz por gostar dele por inteiro e não só pela metade.

A Faria Lima se mostrou muito incomodada com a interferência de Bolsonaro na Petrobras. Até mudar de ideia e fazer coro aos apoiadores descarados do presidente.

Na assembleia de acionistas convocada para substituir Roberto Castello Branco por Joaquim Silva e Luna na presidência da empresa, somente três de onze conselheiros votaram contra a mudança. Ela ocorrerá em março, quando Castello Branco termina o seu mandato como presidente da estatal.

A claque bolsonarista da internet já está 100% na vibe do presidente e colocou Castello Branco na lista de inimigos da nação. O futuro ex-presidente da Petrobras já foi acusado de não trabalhar direito e até insinuação de que ele estava ao lado de “petistas infiltrados” rolou. Só faltou repetirem a acusação de que ele se vestia como um astronauta.

É preciso entender que essa coisa de democracia, liberdade e até mesmo liberalismo é, para muito apoiador do presidente, só uma ferramenta de discurso em momentos difíceis (ie: quando há alguém de esquerda no poder). No geral, na mente do brasileiro, as palavras de O Espírito das Leis foram trocadas pelo ditado “farinha pouca, meu pirão primeiro” e já está na hora da gente encarar a realidade (o brasileiro é horrível). Brasil bonito, aliás, a gente só terá na novela da Globo (e olhe lá).

Respostas rápidas e imbecis para problemas pequenos e fáceis de serem resolvidos

Depois da prisão do golpista Daniel Silveira (PTB-RJ (mas pode ser PSL também)), a Câmara começou a se movimentar para impedir que outros parlamentares em situação de golpismo debaixo do Sol do meio dia sejam presos por estarem em situação de golpismo debaixo do Sol do meio dia. Com patrocínio de Arthur Lira (PP-AL) e movida a toque de caixa, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para dificultar a prisão de parlamentares foi jogada no meio do plenário como se não tivesse dono.

Quer dizer, tinha, um deputado do PSDB que topou assinar o texto fazendo de conta que não tinha consultado com o partido antes.

A admissibilidade da PEC foi aprovada com 304 votos a favor apesar de protestos do PT e do Novo. Os ministros do STF reagiram em choque àquilo que era uma clara resposta à prisão do golpista Daniel Silveira. Já Lira fez de conta que não tinha muita relação com aquilo tudo.

Desidratei, acabou

Não deu muito certo a cara de paisagem de Lira. Primeiro, a relatora do texto, a deputada Margarete Coelho (PP-PI) desidratou o seu conteúdo. Depois, o STF começou a trabalhar, com vontade, contra o que sobrou do texto.

Lira fez que foi, não foi, acabou fondo e a tentativa de subverter a imunidade parlamentar foi deixada para outra hora (para desgosto de muita gente). O texto voltou à estaca zero e agora precisará tramitar de maneira decente para ser aprovado. Se for aprovado, claro.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Não foi por falta de aviso

O Brasil está caminhando firme para continuar na liderança da disputa entre as principais nações para receber testes de vacina de Covid-19. Na última semana sobraram casos de hospitais com UTIs lotadas e governantes aplicando novas medidas de restrição de circulação. O presidente, naturalmente, foi contra tudo isso aí que envolve tirar o vírus de circulação e salvar vidas.

O número de mortos atingiu a marca de 250 mil pessoas. A contabilidade não parece querer descer e o número de novos casos também segue quebrando recordes (de números e de nível de horror).

A Covid-19 fez aniversário de um ano em território nacional (oficialmente) no mesmo dia em que atingimos 250 mil mortes.

Sudeste, norte, sul e mais duas regiões à sua escolha já estão avisando: está ruim, está piorando, não deve melhorar e seria bom se todo mundo ficasse mais tempo em casa para a rede pública e privada não terminar de entrar em colapso.

Enquanto isso, no Ministério da Saúde, Pazuello quer utilizar a sua experiência em logística para transportar pessoas para os estados sem UTIs lotadas. A seguir o ritmo das contaminações, ele poderá fazer isso só com quem tem passaporte em dia e visto garantido em outra nação.

Quem for transferido é melhor usar um GPS próprio e não contar com a habilidade da administração pública federal para mover pessoas e objetos. Tendo em mente o que a pasta fez ao enviar vacinas para a Região Norte, é mais fácil um paciente com Covid-19 parar no zoológico de Belo Horizonte do que em um hospital da Santa Casa com vagas.

Homem sem compaixão demonstra falta de compaixão: entenda

O leitor deve estar se perguntando o que Jair Messias Bolsonaro fez diante disso tudo. Pois então o leitor pegue o seu calmante favorito e veja como o presidente reagiu ao fato de que o país está nos piores momentos da pandemia. Spoiler: sem um pingo de humanidade.

Bolsonaro tirou a última semana para juntar pessoas ao seu redor (sem máscara), atacar o isolamento social e até mesmo o uso de máscaras. Tudo isso enquanto também aproveitava para chamar enquete de estudo científico. Não que ele tenha intelecto para diferenciar um de outro, mas a gente sabe que neste caso a mentira foi contada de maneira consciente.

Luto oficial? Não tem. Mea culpa? Quem faz é governador com o mínimo de vergonha na cara.

Falando em governadores e culpabilização, uma coisa que Bolsonaro se prontificou a fazer foi jogar a culpa das suas ações no colo de quem tenta (ainda que aos trancos e barrancos) salvar vidas.

Após os governadores implorarem por um pouco de dinheiro para ampliar os leitos em seus estados, o presidente disse que já tinha mandado todo o dinheiro que poderia mandar e que problemas acontecem. Não vamos entrar nas entranhas das planilhas orçamentárias da União, mas em resumo: Bolsonaro afirmou, erroneamente, que repasse obrigatório mal executado era fruto de sua boa vontade (e não cumprimento da lei).

Os governadores não gostaram de ouvir o presidente jogando o país contra eles e publicaram uma carta assinada em conjunto contra Bolsonaro. Ela não foi assinada por todos os 27 ocupantes desse cargo, o que nos faz perguntar a quem ficou de fora: a bota do Bolsonaro é cheirosa e fácil de limpar?

Enquanto isso, na “oposição” e no lado do bom senso

Falando nos governadores e a sua tentativa fracassada de diminuir casos de Covid-19 em seus estados, eles começaram a implorar para o ministro da Saúde um plano de ação nacional contra a Covid-19. Jair Bolsonaro disse que não vai rolar e ficou por isso mesmo.

Já os prefeitos resolveram organizar um consórcio para comprar vacinas diretamente dos laboratórios. Não se sabe muito bem de onde virá o dinheiro, mas teria sido interessante se eles tivessem feito isso, sei lá, ano passado. Parece até que acreditavam que o presidente seria pró-vacina.

Os presidentes da Câmara e do Senado, que poderiam coordenar a cobrança política do governo e investigar quem está prejudicando a nação? Estão fazendo corpo mole e entrando em clima de deixa disso. O boleto está caindo em dia, então não dá para fazer cara de surpresa.

No que se refere a 2022, os que querem tirar o presidente da sua cadeira e ser o novo esquentador daquela poltrona bonita já estão trabalhando firme por isso. Marina Silva já deixou de negar a realidade e quer apoiar Ciro Gomes (PDT) — para a raiva de marinistas e todo mundo que adora elogiar ela mas sequer sabe o número que se digita para a REDE aparecer na urna.

Ciro Gomes, por outro lado, aproveitou que o PT colocou o seu bloco na rua e partiu para cima do partido e todo mundo que entrar na frente dele. Está errado? Não está errado.

O trabalho de Ciro Gomes será muito mais fácil do que o de João Dória (PSDB-SP), que precisa encarar o seu partido e o seu passado antes de conseguir virar presidente. O que todos eles não explicaram é como capturarão os votos evangélicos que estão dispostos a apertar a sequência pró-Bolsonaro na próxima eleição. Descobrir isso será a melhor contribuição que alguém pode fazer à nação.

A nossa democracia (?) será eternamente grata ao responsável por tirar esse projeto psicopata, autoritário e semi-genocida do Planalto.


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Escrito pelo Guilherme e revisado com a ajuda da Ninna. Qualquer erro pode ser apontado diretamente no Twitter do blog.

Publicado por guilhermehmds

Guilherme gosta de História, de discutir, de estudar, de Formula 1 e de batata. Guilherme adora uma batata.

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