As coisas no Brasil seguem horríveis. Elas também seguem sem uma perspectiva de melhora. Veja isso e muito mais no resumo da semana #119 do governo Bolsonaro.

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The following takes place between apr-6 and apr-12


Futuro delirante

O Instituto Butantan passou a tratar o mês de abril como um “mês dramático” em termos de mortes e casos de covid-19. Podemos fechar o mês com mais de 100 mil mortos em um período de 30 dias. Diante das previsões e alertas dos especialistas no tema e as ameaças dos não especialistas em epidemiologia, prefeitos e governadores fizeram o que é mais adequado neste cenário: flexibilizaram medidas de isolamento (de novo, novamente, mais uma vez).

Passado sombrio

Diante dos alertas, o governo federal manteve-se ocupado com coisas diferentes de impedir que número de 4.000 mortes diárias se torne rotina. O Ministério da Economia, por exemplo, continuou com a sua agenda direcionada para a participação em lives promovidas por bajuladores privados das suas atividades banqueiros e investidores da bolsa. No mundo real, 19 milhões de brasileiros passaram enfrentar a fome diariamente e uma outra grande quantidade de pessoas que não são funcionárias públicas estão sem emprego ou fechando as suas empresas por falta de apoio.

Para não esquecer: o Ministério da Saúde publicou o contrato de compras de vacinas da covid-19 com a Pfizer. A medida pode ser enquadrada como quebra de contrato e pode deixar o Brasil sem uma gota do imunizante fabricado pela empresa.

Presente tenebroso

Nos hospitais tudo parece igual ao que parecia na semana anterior: alta taxa de ocupação, pessoas morrendo nas filas de UTIS e insumos insuficientes. A não ser que você seja atendido pela rede que está sob os cuidados das Forças Armadas: após ganharem R$ 2 bilhões para cuidar apenas de servidores do Ministério da Defesa e pessoas correlatas, a taxa de ocupação se manteve em torno de 15%.

O Ministério da Defesa disse que não é bem assim. Independentemente do que for o caso, a instituição poderia utilizar o seu prestígio com negacionistas para mostrar como se combate uma pandemia: uso de equipamentos de proteção, regras de distanciamento e testes, lots of tests.

Olha o centrão indo

O centrão chegou no governo Bolsonaro como o blog esperaria que chegaria: com discrição e sigilo.

A deputada Flávia Arruda (PL-DF) assumiu o comando da articulação política do governo e passou a despachar de dentro do Palácio do Planalto. Ela está no primeiro mandato, é do centrão e é casada com um sujeito que tem como grande mérito da sua carreira ter sido o primeiro governador preso na nossa história recente enquanto estava no cargo.

A formalização da entrada do centrão na coordenação política do governo aconteceu a portas fechadas, sem presença da imprensa, sem transmissão pelos canais oficiais e com pouquíssimos convidados. Mas havia alguém muito adequado para prestigiar Flávia Arruda: em uma das cadeiras reservadas para autoridades, estava Valdemar Costa Neto, condenado pelo STF em 2012 pela participação no mensalão durante o governo Lula.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Olha o centrão vindo

Rodrigo Pacheco (DEM-MG) não queria fazer uma CPI da pandemia mesmo com as normas do Senado obrigando o presidente da casa a fazer uma CPI da pandemia. Então o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), falou que não era bem assim e avisou para Pacheco que era melhor seguir as normas legais adequadamente de boa vontade.

Foi o que Pacheco fez. Apesar de reafirmar que não era hora de punir gente que age de maneira que pode ser classificada como criminosa, os passos necessários para a abertura da comissão começaram a serem dados de verdade. Resta saber se ela conseguirá, nas próximas semanas, investigar tudo o que deve ser investigado.

O presidente do Senado avisou que não moverá “um milímetro” para impedir a atuação da CPI. Talvez ele estava muito cansado diante do esforço que já tinha sido empregado com esse fim. O fato é que o número de senadores declaradamente a favor do governo é pequeno diante daqueles que se dizem independentes ou de oposição, o que pode ser visto como um sinal de que eles terão uma boa vontade menor do que aquela que o governador mineiro tem com o presidente.

O ideal é que os senadores mostrassem ao presidente como a Constituição funciona (para ver se ele reduz o número de bobagens sobre o tema que são ditas semanalmente) e identifiquem por qual motivo gastamos R$ 125 milhões em Tamiflu mas nenhum tostão para distribuir máscara de qualidade para quem precisa. Cabem várias máscaras em R$ 125 milhões de reais.

Menção honrosa

Bolsonaro sempre disse que não tinha feito nada de errado no combate à pandemia, mas foi a CPI materializar-se que o presidente começou a fazer os seus esforços para melar os trabalhos e manter a base alinhada. Em conversa divulgada pelo senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), o presidente disse que o correto era uma CPI que apurasse os erros do seu governo e dos executivos estaduais e municipais. A lei discorda.

Bolsonaro também disse, em uma conversa com um número de palavrões baixo o bastante para indicar que não foi realizada às escondidas, que a CPI deveria ouvir só quem é bolsonarista para evitar um “relatório sacana”. O presidente também pediu com jeitinho para o Supremo ser provocado para ordenar a abertura de processos de impeachment de ministros da corte. Sabe como é, CPI e impeachment de juiz são a mesma coisa.

Em sintonia com a fala do presidente, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) protocolou no sábado (10) um pedido para ampliar o escopo da investigação. Se aceito, o pedido faria o Senado se transformar em uma Contax das Assembleias Legislativas e Câmaras dos Vereadores de todo o país.

As tentativas de interferências não foram bonitas, mas dariam orgulho a quem gosta de um espetáculo político. Mas, ao fim e ao cabo, a comissão só servirá para dar mais poder ao Senado no futuro da carreira de Bolsonaro. Agora, além de comer na mão de Arthur Lira (PP-AL), o presidente também terá que falar fino com os senadores.

Quem é o dono da bola?

A gente pode até tentar esquecer a falta de republicanismo na mente do presidente, mas ele sempre está pronto para nos lembrar que ele gosta mais de Robert Filmer do que de Locke. Na cerimônia de posse de novos generais, o presidente Jair Bolsonaro voltou a usar a expressão “meu Exército” ao se direcionar às Forças Armadas.

No mesmo evento, porém, o chefe do Estado-Maior do Exército, o general Antonio Amaro, lembrou que a espada dele “não tem partido“. Apesar do péssimo histórico da instituição nessa área, ele também lembrou que os generais recém promovidos devem zelar pela hierarquia na tropa. Faltou conferir se Bolsonaro entendeu o que isso significa.

E agora para algo completamente diferente

Duas boas notícias. A Bio-Manguinhos, da Fiocruz, conseguiu produzir 900 mil doses da Covishield em um único dia. O material estará liberado para entrega após um processo de controle de qualidade que dura 20 dias.

Segundo um estudo feito em Manaus, a Coronavac é efetiva contra a P.1. Ainda não sabemos se o imunizante ajuda com outras variantes, mas o Brasil já está importando novas cepas do vírus para auxiliar nos testes. A indústria nacional também segue com um bom trabalho nessa área e já criou variantes que unem 18 mutações nunca identificadas no coronavírus.


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Escrito pelo Guilherme. Qualquer erro pode ser apontado diretamente no Twitter do blog.

Publicado por guilhermehmds

Guilherme gosta de História, de discutir, de estudar, de Formula 1 e de batata. Guilherme adora uma batata.

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