Os amigos do presidente, as brigas com quem não se deve tratar como inimigo e a destruição criativa da nossa biodiversidade. Tudo isso e muito mais no resumo da semana #121 do governo Bolsonaro (ou seria do amigo de miliciano? Questões)!

Não se esqueça de compartilhar entre amigos, inimigos, pets e familiares.


The following takes place between abr-20 and abr-26


A semana da covid

TL/DR: tudo o que estava ruim ficou um pouco pior.

Os grupos considerados prioritários para receberem as vacinas contra a covid-19 terão que esperar um pouco mais para ficarem imunizados. A nova previsão do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, é a de que isso só ocorra em setembro. O cronograma inicial tinha uma previsão quatro meses mais curta.

Segundo Queiroga, não é motivo para sermos alarmistas e ficarmos “contando doses”. Resta a nós, portanto, contar o número de pessoas mortas por falta de vacina: ele é, nos primeiros quatro meses do ano, maior do que o que o número de mortes pela doença registrado em 2020.

Enquanto o Instituto Butantan retomou a produção de doses da CoronaVac, a vacina da FioCruz não tem cronograma ou contrato feitos. O instituto também não conta com plano B para caso de atraso, mas, até então, se você não tem cronograma, não tem atraso, não é mesmo?

Para piorar tudo, também ficaremos, por hora, sem a vacina russa Sputinik V. A Anvisa vetou a importação do imunizante alegando ausência de documentos que permitissem a avaliação da qualidade e eficácia do produto. Vamos ter que depender de outras alternativas para enfrentar um vírus que, no Brasil, já está até dirigindo Volvo.

E o presidente diante disso tudo? Disse que pode colocar o Exército na rua para impedir que prefeitos e governadores implementem medidas como toques de recolher. Os militares não gostaram, mas também não desembarcaram do governo como forma de protesto (6.000+ cargos comissionados pagam muito bem).

No começo da semana os EUA decidiram que exportariam insumos para a fabricação da vacina de Oxford/AstraZeneca na Índia, diante dos recordes da covid-19 no país asiático. A União Europeia também se comprometeu a ajudar com insumos hospitalares. A medida deve ser ampliada a outros países com problemas e que, é claro, não são governados por Bolsonaro.

A CPI do fim do mundo

Bolsonaro não tem medo da CPI da Covid. Os seus apoiadores na Câmara, por outro lado, estão com o cu trancando. Só isso explica deputada federal indo atrás de Renan Calheiros (MDB-AL) na Justiça. Ou o monitoramento feito pelo governo sobre o que pode abater a sua imagem durante a CPI.

O Planalto está de olho nos documentos do Tribunal de Contas da União, do Ministério Público Federal, da Universidade de São Paulo e do próprio governo que podem ser utilizados contra Bolsonaro. A situação é tão complicada que nem o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) nega que o governo “perdeu o timing” para se blindar na CPI.

Restou ir para a Justiça fazer uma das coisas mais imbecis que um governo pode fazer (cutucar Renan Calheiros). A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) tentou impedir que o senador seja o relator da CPI.. Deu errado e agora nós teremos garantia de Renan sendo o herói que precisamos, não o herói que queríamos.

Terça-feira fraca

O trabalho de quem quer pegar o Bolsonaro no pulo não será muito difícil. O Planalto já preparou uma lista com as possíveis acusações que podem ser feitas pelos senadores durante a CPI. O documento se somará ao fogo amigo do ex-chefe da Secretaria Especial de Comunicação (Secom) Fabio Wajngarten contra o ex-ministro Pazuello (que, segundo ele, quase foi preso).

Jogar Pazuello debaixo do caminhão não é uma estratégia que inspira confiança para quem ainda está no governo, mas não dá para dizer até que ponto ela servirá para salvar o Planalto. É complicado defender um trabalho que, entre outras coisas, envolveu direcionar gasto com a pandemia para a promoção do agronegócio e não faz repasse para os estados combaterem a pandemia.

O Planalto, aliás, também preparou o ex-ministro da Saúde para falar todo tipo de absurdo na CPI da Covid. O mini-curso aplicado pelo governo incluiu o ensaio de todo tipo de discurso que pode demonstrar o compromisso da administração federal em não seguir a ciência e as melhores formas de contar uma mentira. Em troca, Pazuello ganhou elogios públicos do presidente.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Big stick strikes us

A Cúpula do Clima foi, para o Brasil, exatamente aquilo que ela indicou que seria (uma bela oportunidade de passarmos vergonha em escala mundial). Joe Biden mostrou que os EUA estão com novo desejo de liderar o mundo para uma economia mais sustentável. Bolsonaro mostrou uma foto do nosso meio ambiente amordaçado e pediu um resgate bilionário para salvar as nossas florestas.

O problema é que Biden não estava ouvindo quando o presidente passou o chapéu para pedir dinheiro para os principais representantes do globalismo internacional. Apesar de gravatinha verde, ninguém mais leva a sério as promessas do governo. Afinal de contas, histórico de más práticas na área ambiental é o que não falta para os que nos governam.

A nossa única alternativa aos slides de baixa qualidade do briguento ministro do Meio Ambiente é mostrar que conseguimos gerenciar os recursos que já temos para reduzir o desmatamento e os nossos indicadores de poluição. Usar referências que não funcionam lá fora é menos efetivo do que simplesmente jogar no lixo a política de meio ambiente das últimas 121 semanas. Não existe almoço de apoio ao ministro Salles que dobre a realidade.

A realidade bateu na porta e foi bem ruim o que ela viu

Falando em realidade, as demonstrações de que o país está empenhado em seguir as principais práticas de preservação do meio ambiente já começaram no dia seguinte após o fim da conferência internacional. Jair Bolsonaro oficializou um corte de R$ 240 milhões da pasta do Meio Ambiente. Ele afetará políticas relacionadas a mudanças climáticas, controle de incêndios florestais e fomento a projetos de conservação da nossa flora e fauna.

No Congresso, o governo resolveu bancar dois projetos de lei que dividiria em dois o Parque Nacional da Serra do Divisor (AC) e a privatização de seu território, abrindo caminho ao desmate, ao gado e à extração mineral. A medida acontece ao mesmo tempo em que a ausência de dados oficiais para a fiscalização da devastação ambiental volta ao noticiário. Depois não adianta dizer que estão torcendo contra o país.

A vida me ensinou a cuidar do que é meu

Quem acompanha o blog com carinho e amor sabe que o presidente e a sua família estão com muitos boletos a serem pagos diante da Justiça. E, como quem não quer nada, a família está trabalhando ativamente para se blindar a médio e longo prazo de qualquer condenação. A estratégia, é claro, envolve fazer aquilo que eles disseram que o PT faria se chegasse ao governo: colocar gente amiga nas cortes superiores e em tribunais estaduais.

O esforço tem sido realizado com o apoio de advogados, que ajudam os Bolsonaros na interlocução com juízes. O grupo já é chamado de “bancada jurídica bolsonarista” por parlamentares próximos ao Planalto. Eles só precisam garantir que os indicados não se transformem em algozes como foi o caso dos ministros indicados pelo PT durante o julgamento do mensalão.

É compreensível a atitude do presidente e de seus familiares. Quem tem cu, tem medo. Quem presta homenagem a miliciano, trabalha com amigo de miliciano, é mencionado em ligação de miliciano, é visto como capaz de proteger miliciano, precisa da ABIN para se proteger das acusações de desviar dinheiro público com apoio de parente de miliciano e chegou ao poder aparecendo em investigação de miliciano precisa mesmo ter medo.

Em um contexto como esse é bem difícil saber de onde é que pode sair um golpe fatal.


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Escrito pelo Guilherme. Qualquer erro pode ser apontado diretamente no Twitter do blog.

Publicado por guilhermehmds

Guilherme gosta de História, de discutir, de estudar, de Formula 1 e de batata. Guilherme adora uma batata.

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