Chegamos ao fim de mais uma semana do governo Bolsonaro. Nos últimos 7 dias aprendemos que se gritar pega centrão, o Bolsonaro fica amarradão.
Figuras como Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Paulo Guedes estão com tanto poder prático quando as emas do Planalto. Já o “Arenão” abocanha mais nacos do poder que o Arena abocanhava na ditadura civil-militar. Aparentemente a História não está rimando apenas em São Paulo, onde estátua de bandeirante — aquele pessoal que queimava indígena sempre que possível — pega fogo.

Confira tudo isso e muito mais a seguir.


The following takes place between jul-20 and jul-26


Passando uma nova demão de tinta e chamando de reforma

O planalto central está em reforma. Para garantir que o impeachment continue a ser um sonho molhado de muitos brasileiros, o presidente resolveu abrir espaço em seu governo para o Partido Progressista. Perdem espaço Guedes e Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e ganham espaço Ciro Nogueira (PP-PI) e companhia limitada.

O senador Ciro Nogueira será o novo chefe da Casa Civil (sujeito a mudanças), já o general Luiz Eduardo Ramos trocará a Casa Civil pela Secretaria-Geral da Presidência. Onyx Lorenzoni, por outro lado, abandonará a Secretaria-Geral para cuidar da geração de empregos no novo, novíssimo, de última geração, Ministério do Trabalho.

No meio desse processo, Ramos descobriu como é ser Paulo Guedes por um dia. As mudanças foram articuladas pelas suas costas. Já o ministro da Economia, diante de tudo o que acontecerá com uma Casa Civil comandada pelo centrão, ainda não conseguiu admitir que está cada vez menos ministro e menos economia.

O que aprendemos com essa história? Que hábitos antigos, como abraçar o centrão, morrem com muita dificuldade.

Engana trouxa

O fundo eleitoral aprovado pelo Congresso, se distribuído igualmente a todos os candidatos, daria um valor próximo de R$ 250.000,00 para cada postulante a um cargo nas eleições de 2022. Bolsonaro sabe que entregar R$ 250 mil para cada petista brasileiro não é algo muito popular entre a sua base. O que ele fez então?

Bem, primeiro ele fez de conta que não tinha nada a ver com a aprovação do projeto. Depois disse que o ajuste foi feito de acordo com a inflação do período, ou seja, que não era um aumento real. Não contente, insistiu que vetaria a nova cifra.

Depois, o presidente mudou de ideia e resolveu apenas dobrar o valor do fundo de financiamento eleitoral. O problema é que não há como vetar só R$ 2 bilhões: ou veta tudo e manda um novo projeto ao Congresso, ou não veta nada. Mas todas as escolhas são muito difíceis.

De recesso, mas com dados novos

A CPI da Covid não deixa de ser uma caixinha de surpresas, mesmo quando está sem depoimentos novos. Na última semana, a análise dos documentos que a Precisa Medicamentos enviou para a Advocacia-Geral da União encontrou uma larga quantidade de indícios de fraudes. A Bharat Biotech, fabricante da Covaxin, rompeu o contrato com a Precisa Medicamentos e reconheceu que a documentação apontada pela CBN é falsa.

Em outros tópicos, Mayra Pinheiro, conhecida como “capitão cloroquina”, caiu na net. A gestora do Ministério da Saúde teve uma reunião online entregue para a CPI da Covid. No vídeo, Pinheiro é preparada para o seu depoimento, dado em maio, e ensinada de que não há provas de que o tratamento precoce por ela divulgado funciona.

Na quinta vez é mais gostoso

Após muita confusão organizacional, partidos de esquerda, movimentos da sociedade civil e sindicatos ocuparam as ruas pela quinta vez contra o presidente Jair Bolsonaro. Os atos aconteceram em pelo menos 120 municípios. Em breve, teremos mais.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Tudo normal aqui

O ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, teria ameaçado o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de que não haveria eleição em 2022 caso a Casa não aprovasse o voto impresso. A informação foi obtida pelo jornal O Estado de S.Paulo e não foi negada diretamente tanto por Lira quanto por Braga Netto.

Mas se os generais querem acabar com a democracia, eles precisam, primeiro, combinar com os russos. Ninguém duvida da falta de compromisso das Forças Armadas com a manutenção do poder nas mãos dos civis. Mas se elas querem ameaçar golpe com vontade e não tomar drible do centrão, é melhor ler algum livrinho de história e lembrar que, sem o apoio da parte mais fisiológica da política, não há golpe que se faça durar.

Em notas relacionadas, há algumas semanas a Polícia Federal saiu em busca de provas de fraudes no sistema eletrônico de votação, mas se recusa a mostrar se achou algum problema.

Tudo estranho por aqui

A deputada federal Joice Hasselman (PSL-SP) acionou a Polícia Legislativa após acordar em seu apartamento funcional coberta de ferimentos. Sem se lembrar como os sofrera, a deputada disse que o marido não foi o responsável pelas agressões e que a culpa, provavelmente, era de um inimigo político.

Até aí, tudo bem. A trama se intensificou após a Polícia Legislativa analisar as gravações do prédio em que mora a deputada ao longo do final de semana. Segundo a análise, nenhuma pessoa estranha ao local foi vista entrando ou saindo do prédio no período em que a agressão teria sido realizada.

Ainda há muito o que se desvendar dessa história. Mas nada indica que ela terá um final feliz.

Fogo no parquinho

Fabrício Queiroz, aquele que depositou muitos cheques na conta bancária da primeira dama, está procurando emprego e pedindo afeto. Afirmando que a sua metralhadora “está cheia de balas”, o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) reclamou que está abandonado.

Queiroz deveria ter mais calma e pensar bem as suas palavras: gente que normalmente é acusada de se envolver com a milícia e que reclama muito não costuma viver até chegar a hora de aposentar-se por idade. Em todo caso, não podemos deixar de recomendar um advogado especializado em delações premiadas como um tipo de companhia ideal.

A semana da pandemia de covid-19

Vamos começar pela boa notícia: a média móvel de mortes por covid-19 continua em queda. Próxima de voltar a uma faixa abaixo de 1000 mortes, ela representa a certeza de que vacinas funcionam.

Agora vamos para a má notícia: o Brasil já soma mais de 100 casos da variante delta do coronavírus. Já temos, também, pessoas mortas pela nova cepa no Nordeste, no Sudeste e no Sul do país.

As coisas estão melhorando, mas podem piorar mais rápido do que gostaríamos. Menos da metade dos brasileiros já receberam a primeira dose da vacina e pelo menos nove capitais estão com dificuldades em receber imunizantes. O jeito é entrar para a Abin e receber vacina do exército na miúda.

Boas companhias

O presidente e deputados da base aliada do Planalto resolveram receber a deputada alemã Beatrix von Storch. Storch é vice-presidente do partido Alternativa pela Alemanha (AfD), neta do ministro das Finanças de Adolf Hitler e defensora de ideias que a aproximam daquelas propagadas pelo ex-chefe do seu falecido avô. Além disso, seu partido é monitorado na Alemanha por ser considerado uma ameaça à democracia.

Quem abraça fascista aos risos pode ser chamado de fascista ou o presidente do Brasil tem carta branca para isso?


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Este texto foi escrito pelo Guilherme e revisado com a ajuda da Ninna. Você também pode nos acompanhar no TikTok, no Twitter ou diretamente em sua caixa de entrada.

Publicado por guilhermehmds

Guilherme gosta de História, de discutir, de estudar, de Formula 1 e de batata. Guilherme adora uma batata.

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