138 semanas de governo Bolsonaro. O Brasil está com uma grande quantidade de pessoas vacinadas com ao menos uma dose de imunizante. A retórica golpista nunca foi tão forte. Mas as instituições? Estão funcionando.

Veja como chegamos até aqui a seguir (ou na web).


The following takes place between ago-17 and ago-23


Um pedido de impeachment para chamar de meu

Após pedidos da Advocacia-Geral da União (AGU), tentativas de posicionamento adequado de panos quentes e reuniões que não deram em nada, Jair Bolsonaro entrou com um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente se defendeu afirmando que estava apenas seguindo a Constituição — mas há quem discorde.

O presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já jogou água fria nos planos do presidente da República. Segundo ele, a abertura do processo não é “recomendável”. Sabe como é, nem todo mundo tem o interesse de abraçar quem pula no precipício do golpismo e do desequilíbrio institucional — mas avacalhar a indicação de André Mendonça ao STF tá liberado.

Tentativa e erro, muito erro

O governo federal entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para impedir que o STF faça o que ele é autorizado a fazer. A ação pede que a corte não instaure um inquérito sem o aval do Ministério Público.

O expediente foi utilizado, por exemplo, no inquérito das fake news. Quando a Procuradoria-Geral da República (PGR) não se posiciona a favor de tais ações, ela tende a simplesmente ignorar os questionamentos da Suprema Corte. Em notas relacionadas: os filhos de Bolsonaro são investigados em alguns dos inquéritos do STF.

Ampliou

A CPI da Covid aumentou a lista de quebras de sigilo na última semana. O líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR), teve a quebra anterior ampliada. Já o projeto de comedor de casadas (e advogado da família Bolsonaro) Frederick Wassef entrou para a lista de pessoas com a renda avaliada pela comissão.

Criminhos

Atenção para o momento flashback: em junho de 2021, o presidente Bolsonaro anunciou ter em sua mão um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) apontando que o Brasil estava contando em excesso o número de mortes por covid-19. O documento passou a circular pelas redes como uma prova de que governadores estavam falsificando dados para obter mais receitas do governo federal.

Agora, em agosto, o auditor responsável pelo documento, Alexandre Marques, disse à CPI da covid-19 que o estudo não era oficial e que não apresentava as informações que Bolsonaro dizia apresentar. Além disso, disse que a versão encaminhada ao presidente não contava com o carimbo do TCU. O que isso significa? Que a CPI pode, agora, denunciar o presidente por adulteração de documentos oficiais.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

[inaudível]

A CPI da covid também ouviu o dono da Precisa Medicamentos. O empresário Francisco Emerson Maximiliano contava com o direito de ficar em silêncio durante a sua fala. Em resumo, Maximiliano falou que não falaria, não se comprometeu a falar a verdade e mentiu.

Mapa de um desastre

2021 promete. Promete incêndios no Pantanal em nível igual ou maior do que o registrado em 2020, ano em que eles atingiram recorde histórico.

Desde o começo do ano até o último final de semana, a maior planície alagável do mundo perdeu 261.800 hectares para o fogo. Isso equivale a dois municípios do Rio de Janeiro. Em 2020, a área queimada no mesmo período foi de 265.300 hectares.

Em notas relacionadas, a região concentrou a maior perda de água no país nos últimos 30 anos. Mais da metade dos recursos hídricos presentes durante o governo Sarney viraram terra seca. Os dados são do Projeto MapBiomas.

A semana da pandemia

Há algumas semanas nos perguntamos quem poderia ter o maior impacto no cenário da pandemia tupiniquim. Continuamos sem resposta: a variante delta do Sars-Cov-2 já corresponde a 61,2% das amostras brasileiras do vírus, a ocupação de leitos de UTI no Rio de Janeiro já está na maior média em dois meses mas, ao mesmo tempo, a média móvel de mortes é a menor desde 7 de janeiro.

Vacinas funcionam (mesmo que sejam aplicadas na sua bunda). Mas se o sistema de saúde continuar sem seringa para aplicá-las ficará difícil reduzir (de vez) os casos de covid-19 no território nacional.

De novo isso

Um grupo de 24 governadores se reuniu na segunda-feira (23) para realizar um ato em defesa da democracia e do STF. A ação foi articulada por João Dória (PSDB-SP) e Wellington Dias (PT-PI).

Uma das várias motivações do encontro é a radicalização de Bolsonaro para que agentes da Polícia Militar participem dos atos golpistas de 7 de setembro. Não é de hoje que a infiltração bolsonarista nas polícias faz parte do noticiário nacional. O problema é saber até que ponto as instituições conseguirão calar os policiais que resolverem fazer (ou ensaiar) quartelada por aí.

As Forças Armadas dizem que não querem embarcar em aventura golpista. Seria um afago para quem tem medo de ver Bolsonaro fazendo um cosplay de Fujimori se o histórico da instituição não fosse tão ruim. Outro dia mesmo tinha general falando com a imprensa em tom golpista.

Enquanto não vemos o efeito prático que o bolsonarismo causará no nível de democracia dos quarteis policiais, os governadores resolveram tentar, de novo, novamente, mais uma vez, uma reunião com o presidente da República. João Dória e cia LTDA pretendem encontrar Bolsonaro, os presidentes da Câmara, do STF e do Senado para buscarem estratégias para “salvaguardar a paz social, a democracia e o bem-estar socioeconômico da população brasileira”.

Não dará certo, mas se você quer saber quem foram os responsáveis pelo encontro não terminar com uma carta contra as ameaças do presidente, vamos os nomes: Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Carlos Moisés (PSL-SC).


Todos os posts da série estão disponíveis aqui.

Este texto foi escrito pelo Guilherme e revisado com a ajuda da Ninna. Você também pode nos acompanhar no TikTok, no Twitter ou diretamente em sua caixa de entrada.

Publicado por guilhermehmds

Guilherme gosta de História, de discutir, de estudar, de Formula 1 e de batata. Guilherme adora uma batata.

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