A semana #143 do governo Bolsonaro teve a CPI da Covid entendendo como brasileiros podem praticar eugenia, ministro da CGU sendo acusado de machismo e Bolsonaro mandando um “alô, alô” para a sua base em Nova York.

Veja em detalhes tudo isso e muito mais no resumo da semana #143 do governo Bolsonaro.


The following takes place between sep-21 and sep-27


Esse DDI é 23?

Jair Bolsonaro voltou a falar na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, presencialmente. Tradicionalmente, o discurso do presidente brasileiro tem como foco posicionar o país diante das questões globais. No lugar da tradição, o presidente brasileiro optou por fazer um Intelig para a sua base local.

Enquanto outros líderes falavam sobre o aquecimento global, a recuperação econômica após a pandemia e a guinada para uma economia sustentável com base no que há de mais moderno em termos de pesquisa, Bolsonaro atacou a imprensa, apoiou remédios ineficazes contra a covid-19 e chamou Michel Temer de socialista. Por fim, disse que não existem casos comprovados de corrupção. Mas para isso Collor já tem a resposta certa: o tempo é o senhor da razão.

A viagem do governo para a Assembleia fechou com chave de ouro após várias pessoas serem diagnosticadas com covid (incluindo o ministro da Saúde). Os casos foram utilizados por Bolsonaro como exemplo para pregação negacionista.

Bate boca

A sessão da CPI da Covid do dia 21 foi encerrada com dedo na cara e gritaria. O ministro da Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário, acusou a senadora Simone Tebet de ser “descontrolada”. A fala foi o ponto alto (ou baixo, depende do ponto de vista) de um depoimento que serviu, principalmente, para colocar o ministro na lista de pessoas investigadas formalmente pela comissão.

Anjinhos da morte

A CPI também ouviu o diretor-executivo da Prevent Sênior, Pedro Batista Junior. A empresa é acusada de utilizar remédios contra câncer para tratar covid-19 (além dos tradicionais remédios ineficazes que já são utilizados pelo grupo). O depoimento, porém, foi muito mais macabro do que a sinopse.

O executivo afirmou que o diagnóstico dos pacientes com covid-19 era modificado após 14 dias de internação — mas negou que a empresa ocultou mortes no estudo com hidroxicloroquina. Pedro Batis Junior também colocou o velho da Havan em saia justa: segundo ele, a mãe de Luciano Hang foi tratada com o “kit covid” apesar de seu filho ter negado a aplicação dos medicamentos. Aliás, falando na mãe do empresário, a Folha de S.Paulo descobriu que o prontuário de sua morte foi fraudado pelos médicos da Prevent Sênior.

Já estava ruim, aí ficou pior

A situação da Prevent Sênior ficou muito ruim com a publicação de um dossiê elaborado por profissionais de saúde que atuaram nos hospitais da rede. O documento acusa a Prevent Sênior de testar tratamentos ineficazes contra a covid-19 sem o conhecimento dos pacientes e de ter ocultado mortes na sua rede. Além disso, o dossiê também aponta ameaça por parte da empresa para que os médicos prescrevessem o “kit covid” para o tratamento da doença.

Bagunça

O depoimento de Danilo Trento, diretor da Precisa Medicamentos, arrastou o Planalto para a CPI da Covid outra vez. Trento admitiu ter se reunido com parlamentares brasileiros em Las Vegas no mesmo período em que Flávio B. (Patriota-RJ) estava na cidade em missão oficial pelo Senado. Quando Renan Calheiros (MDB-AL) comentou como a CPI está ampliando a visão entre os brasileiros, de que o governo Bolsonaro estava metido em crimes, a casa caiu.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

A semana da pandemia

O Supremo Tribunal Federal decidiu que caberá aos estados decidir quando será iniciada a vacinação de adolescentes. A decisão contrariou o Ministério da Saúde, que havia suspendido a aplicação de doses sem apresentar argumentos científicos.

Segundo o Datafolha, a maioria dos brasileiros vê a pandemia sob controle. A mesma maioria também defende o uso de máscara. Isso nos coloca pensando aqui na redação: o que teria sido da pandemia se o governo tivesse promovido o uso de máscaras PFF2 desde o começo?

1000 dias com ele

Jair Bolsonaro completou 1000 dias à frente da presidência da República. O dia foi marcado por mobilizações com a sua base e a inauguração de obras que fossem capazes de ofuscar as metas não cumpridas e as 32 violações de direitos humanos de seu governo. Mas a notícia que importou mesmo foi a seguinte: Jair Bolsonaro voltou dos EUA sem covid.

Quando você esquece de pagar a conta

O Congresso derrubou uma série de vetos do presidente Bolsonaro na última semana. Eles incluíram, mas não se limitaram a temas como: as federações partidárias, a suspensão da prova de vida no INSS, as reintegrações de posse e o repasse de verbas federais para ampliar acesso à internet de alta velocidade em escolas.

Fica a dica: se você quer avacalhar alguém por aí, é importante pagar a fatura e negociar com os Congressistas. Só a primeira parte não adianta.

Quem é o bolsonarista mais disfarçado

O tucano Tasso Jereissati (CE) abandonou a disputa das prévias do PSDB em favor do governador gaúcho Eduardo Leite. A medida deve ser acompanhada da desistência de Arthur Virgílio (AM) em apoio a João Dória (SP). O que não está definido, além do próximo candidato dos tucanos à presidência, é quem quer mais voto de bolsonarista: Eduardo Leite ou João Dória.

Vamos combinar, ambos sabem que não chegam no segundo turno sem voto de bolsonarista. Eduardo Leite já entendeu isso e tornou-se o principal candidato do bolsonarismo tucano parlamentar e Dória já recebeu o briefing de que é mais lucrativo bater no PT do que no presidente. Falta saber se é algo que pode dar certo (não dará).

Publicado por guilhermehmds

Guilherme gosta de História, de discutir, de estudar, de Formula 1 e de batata. Guilherme adora uma batata.

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