Denúncias de assédio sexual envolvendo o (agora) ex-presidente da Caixa, Senado aprovando a bagunça fiscal que pode garantir a reeleição de Bolsonaro e dólar nas alturas.

Tudo isso e muito mais no resumo da semana #183 do governo Bolsonaro.


The following takes place between jun-28 and jul-04


Abuso

Pedro Guimarães começou a semana como presidente da Caixa Econômica Federal. Pedro Guimarães terminou a semana com o Brasil sabendo que ele é investigado pelo Ministério Público por assédio sexual.

Os relatos dos abusos, publicados pelo portal Metrópoles, foram feitos por um grande número de funcionárias da CEF. As acusações envolvem toques íntimos não autorizados e convites para sexo em local de trabalho. Indo além, também existem relatos de assédio moral envolvendo o dia a dia ao lado de Guimarães.

Amigo para toda hora

Pedro Guimarães também foi um apoiador de peso para o presidente Bolsonaro. Enquanto esteve à frente da Caixa, Guimarães foi convidado frequente das lives semanais do presidente, defendendo o papel do banco público no fortalecimento do governo federal. Ou melhor, no fortalecimento da popularidade de Bolsonaro.

Troca de cadeiras

A substituta de Guimarães é Daniella Marques. Ela é uma economista de confiança do ministro Paulo Guedes (Economia) e que já estava trabalhando com ele desde o primeiro dia do governo Bolsonaro. Como grandes feitos, Marques ajudou em várias articulações do governo com o Legislativo — muito provavelmente operando baldes de água capazes de apagar os incêndios promovidos pelas largas bocas de seus superiores diretos e indiretos.

Reação

Como primeiras medidas, Daniella Marques contratou uma auditoria externa para rastrear membros do banco que tenham acobertado o assédio supostamente realizado por Guimarães. Ela também pretende criar um comitê de crise para apurar denúncias desse tipo. É melhor fazer isso com carinho, já que o Tribunal de Contas da União está de olho em todas as ações do banco.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Guerra de protocolos

Conforme apontado na última edição, a oposição protocolou o pedido de criação da CPI do MEC. Agora, os senadores devem enfrentar um desafio: convencer o presidente da casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que a investigação dos escândalos envolvendo o órgão é mais relevante do que os pedidos que a base do governo fez para barrar inquéritos mais sérios.

Guerra de emendas

Enquanto o senador Carlos Portinho (PL-RJ) ameaçava ir ao Supremo Tribunal Federal caso o presidente do Senado instalasse a CPI do MEC antes de outras menos importantes, o Planalto abriu o cofre. Desde a prisão de Milton Ribeiro, ao menos R$ 3 bilhões foram liberados por meio do “orçamento secreto”. O objetivo é simples: garantir que a abertura da CPI seja postergada o máximo possível.

Rodrigo Pacheco? Prometeu definir se as emendas do relator falarão mais alto do que o seu republicanismo nos próximos dias.

Abrindo o cofre

O governo federal conseguiu aprovar, no Senado, a PEC que reúne o “pacote de bondades” que Bolsonaro pretende utilizar para melhorar o cenário econômico (e as suas chances eleitorais) nos próximos meses. Ao menos R$ 41 bilhões serão utilizados nessa brincadeira. Tudo ficará fora do teto de gastos, como esperado.

A proposta inclui benefícios mais focalizados, como um aumento no Auxílio Brasil, e pouco focalizados, como um “voucher caminhoneiro” e “voucher taxista”. Em comum, todas as ideias da PEC são flagrantemente inconstitucionais, apoiadas por políticos de fora e de dentro da base do governo e incapazes de resolver o problema no curto prazo.

Considerando que essa medida desregulará as já bastante bagunçadas contas públicas, 2023 será um ano terrível para os fiscalistas de plantão.

Batalhas para o futuro

As próximas semanas do governo Bolsonaro serão marcadas por muitas batalhas. O Planalto quer postergar, a todo custo, a realização da CPI do MEC para depois das eleições de outubro. Já a oposição quer jogar a votação do pacote de bondades para agosto.

As intenções de ambos revelam que ninguém em Brasília estará se movendo, até o final de outubro, por qualquer outra coisa que não seja a disputa eleitoral deste ano. Portanto, aconteça o que acontecer, a gente já sabe que: ninguém vai ganhar ou perder; todos vão ganhar e perder.



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Este texto foi escrito pelo Guilherme e revisado com a ajuda da Ninna. Você também pode nos acompanhar no TikTok, no Twitter ou diretamente em sua caixa de entrada.

Publicado por guilhermehmds

Guilherme gosta de História, de discutir, de estudar, de Formula 1 e de batata. Guilherme adora uma batata.

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